quinta-feira, 22 de julho de 2021

O Brasil caminha para se tornar a 2° maior nação evangélica do Mundo


A ascensão dos evangélicos na política e na sociedade não é um movimento anormal, tendo em vista que a sua influência cresce à medida que engrossam as fileiras de fiéis — hoje, já representam um terço da população. O Brasil caminha para ser o segundo maior país do mundo de maioria protestante — os Estados Unidos são o primeiro. Conforme previsões do demógrafo José Eustáquio, professor aposentado da Escola Nacional de Estatísticas do IBGE, os católicos deixarão de ser metade da população em 2022 e devem ser ultrapassados pelos evangélicos por volta de 2030. Tendo o Brasil como eixo condutor, o fenômeno ocorre em toda a América Latina, enquanto nos países mais desenvolvidos cresce o porcentual dos ateus e sem religião.

Nas décadas de 70 e 80, a maior parte das igrejas evangélicas era conhecida pelo ascetismo político e cultural. Elas seguiam à risca o ensinamento bíblico de que os seguidores de Cristo “não pertenciam a este mundo” e, portanto, deveriam se manter afastados da “sociedade mundana”. Não era incomum encontrar manuais de boas condutas que tratavam a política como algo do demônio. Com a chegada do movimento neopentecostal, como a Igreja Universal do Bispo Edir Macedo, essa percepção mudou: o “mal” não seria mais combatido. “Eles perceberam que era mais vantajoso estar próximo do poder do que longe dele”, diz Luciano Luna, um dos coordenadores do núcleo religioso do PSDB. A comunidade evangélica levou ao pé da letra o novo mandamento. No governo de Jair Bolsonaro, cujo slogan é “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, essa aliança ganhou uma dimensão inédita. A influência religiosa no Brasil de Bolsonaro vai desde as pautas de comportamento ditadas pelo Palácio do Planalto até a indicação de cargos por critérios religiosos, cuja expressão máxima é a pretensão do presidente de nomear para uma das vagas a ser abertas no STF um ministro “terrivelmente evangélico”. Para as eleições de 2022, o capitão ainda cogita ter como vice a ministra-pastora Damares Alves ou o deputado-cantor gospel Marco Feliciano (Republicanos).

“Enquanto o presidente tiver a determinação de defender as bandeiras que acreditamos que trarão bênção e prosperidade ao país, estaremos juntos”, afirma o líder da bancada evangélica no Congresso, deputado Silas Câmara (Republicanos-AM). Entre os líderes religiosos, há uma máxima hoje que às vezes é levada mais a sério do que as palavras da Bíblia: “Os governantes passam, mas a igreja permanece”.

Fonte: Revista veja

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