sexta-feira, 23 de julho de 2021

Doria diz acreditar em Bolsonaro fora do 2º turno em 2022






O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse não acreditar que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) dispute o 2º turno das eleições presidenciais de 2022. Segundo ele, o pleito ficará entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um candidato da chamada 3ª via. Bolsonaro, de acordo com o governador paulista, é “o maior produtor de fatos contra ele mesmo”. “A meu ver, a cada dia que passa o presidente Bolsonaro perde um degrau na escada que poderia conduzi-lo ao 2º turno”, falou Doria em entrevista ao jornal Valor Econômico publicada nesta 6ª feira 23. “O ex-presidente Lula mantém-se equilibrado e numa linha de estabilidade que poderá levá-lo ao segundo turno com outro candidato que não Bolsonaro.” Doria pretende disputar a Presidência em 2022. É um dos nomes que fará parte das prévias do PSDB. Ele afirma que tem um pacto com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, o senador Tasso Jereissati (CE) e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio –que também pleiteiam a vaga– para aceitar o resultado. “O PSDB não é um partido que tem um dono que mande e todos obedeçam. É um partido onde todos têm a possibilidade de expressarem suas opiniões, suas vocações e também divergências. Isso se chama democracia”, declarou. “Não haverá cristianização.” Questionado sobre a possibilidade de Geraldo Alckmin deixar o PSDB, Doria afirmou que ainda há “espaço aberto” para o ex-governador na legenda. “Primeiro porque ele merece, é fundador do PSDB. Portas abertas para analisar alternativas que possam conciliar o seu interesse com aquilo que seja possível. Ele tem estirpe, prestígio, força e meu respeito”, disse. Depois de o PSDB de São Paulo anunciar que fará as prévias no Estado no mesmo dia e com regras idênticas às nacionais, Alckmin disse a aliados que deve deixar o partido e se filiar ao PSD. O tucano pretende se candidatar a governador de São Paulo nas eleições de 2022, mas não quer enfrentar a disputa interna com as regras colocadas. Doria falou que viu com estranheza o fato de Alckmin não participar das prévias tucanas. “Quem me ensinou o valor das prévias foi ele”, declarou. Eleições e pandemia O governador paulista afirmou preferir o termo “melhor via” ao invés de 3ª via. Disse não estar preocupado com as pesquisas de intenção de votos que colocam Bolsonaro e Lula no 2º turno. “Bolsonaro hoje tem entre 20% e 25% e Lula também tem algo entre 20% e 25%, nas pesquisas espontâneas. Temos 50% desse universo que não é nem Bolsonaro nem Lula”, avaliou. “Esse universo, neste momento, não está preocupado com eleição. Está preocupado com a vacinação e a retomada de seus negócios, da renda que se perdeu.” Segundo Doria, é a partir de janeiro do próximo ano que esse eleitor vai se preocupar com o pleito. Pesquisa PoderData realizada de 5 a 7 de julho mostra que Lula abriu sua maior vantagem contra Bolsonaro em uma possível disputa nas eleições de 2022. O petista concentra agora 43% das intenções de voto, contra 29% do atual comandante do Planalto. O governador disse não acreditar que a avaliação de Bolsonaro melhore, mesmo com a retomada da economia e com aumento do valor pago em programas sociais como o Bolsa Família. “Temos um psicopata [como presidente], e um psicopata não toma decisões normais, não raciocina com normalidade, não costuma ouvir nem aceitar conselhos, que trabalha por instinto, um instinto belicoso, fracionado, criador de problemas”, afirmou. “Cada vez que fala gera uma onda contra ele. Bolsonaro É o maior produtor de fatos contra ele. Não estamos diante de um presidente normal, que às vezes erra. Estamos diante de um anormal, que comete sucessivos equívocos. Alguém deve ter dito a ele ‘destrua o Brasil’. E ele está destruindo”, completou. Doria elencou 3 fatores que o ajudaram a melhorar a avaliação de sua gestão: preservação de vidas ao decretar quarentena, reforma administrativa e a campanha de imunização contra a covid-19. “São Paulo é o Estado que mais vacinou até o presente momento. Isso faz a diferença porque permitiu a queda de casos, de internações e de óbitos. Isso levou à retomada da economia através da flexibilização da quarentena, que já está sendo praticada neste mês e será ampliada em agosto”, disse. O governador falou que a nova fábrica que produzirá a CoronaVac, imunizante da Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, está recebendo os últimos ajustes e será finalizada em outubro. A expectativa é que receba todos os equipamentos até dezembro e, em janeiro, esteja em funcionamento. “São Paulo terá muito em breve duas fábricas de vacinas contra a covid-19, que vão permitir ao Brasil independer da importação de insumos, o que é um fato extraordinário”, disse ao Valor Econômico. “A partir de 2022, nós teremos que fazer vacinação anual contra a covid, como fazemos contra a gripe, contra a influenza e o H1N1”, declarou o tucano. “Nós não estaremos livres do coronavírus, não estaremos livres da covid. Nós estaremos protegidos por vacinas, e quem sabe no futuro, por medicamentos, que ainda não existem.” Apesar do governo estadual ter anunciado a revacinação da população paulista para janeiro, especialistas ouvidos pelo Poder360 afirmaram que ainda não há dados que justifiquem a ação. Estudos sobre a duração da imunidade das vacinas ainda estão sendo realizados e os primeiros resultados indicam uma proteção duradoura contra a covid-19. Saiba mais nesta reportagem.


Agora RN

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