Quatro ex-seminaristas acusam Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Belém (PA), de usar seu poder para investidas sexuais não consentidas durante encontros privados. O suposto abuso sexual é alvo de inquérito aberto pela Polícia Civil a pedido do MP-PA (Ministério Público do Pará) e também é investigado pelo Vaticano.

Segundo relatos feitos pelas supostas vítimas ao “Fantástico”, da TV Globo, a casa onde vive Dom Alberto é o lugar onde eles passaram seus piores dias. O arcebispo costumava convidar os seminaristas para visitá-lo — e os jovens, impressionados, se sentiam privilegiados pela oportunidade. Mas foi ali que os abusos teriam acontecido.

“Quando ele me tocou, na minha parte íntima, disse que aquilo ali era normal, coisa do homem. Mas, assim, eu não via maldade, porque confiei muito, por ele ser uma autoridade, também não tinha experiência. Mas aquilo foi se tornando já permanente e já mais agressivo. Ele já me recebia na porta e já ia logo pegando”, conta o ex-seminarista. Clique aqui para assistir ao vídeo.

Dom Alberto Taveira Corrêa é assessor eclesiástico da Renovação Carismática Católica (RCC) e autor de diversos livros sobre a espiritualidade carismática e sobre a igreja. O arcebispo participou em 2019 do Sínodo da Amazônia.

Abuso moral

Com “S”, os abusos teriam começado assim que o ex-seminarista conheceu Dom Alberto, em 2010, na Cúria Metropolitana, onde ficava o escritório do arcebispo. Além do assédio sexual, ele relata ter sido vítima de assédio moral.

“Quando eu comecei a falar que eu queria sair do seminário por isso, isso e isso, comecei a chorar. Ele mudou o humor repentinamente. Bateu na mesa, me xingou de ‘viado’, disse que chorar era coisa de ‘viado’, que eu tinha que ser homem, que eu tinha que ser forte. E isso tudo gritando, assim, de maneira que até chegou a me assustar”, contou à reportagem.


Neste mesmo dia, lembrou, Dom Alberto o abraçou e apalpou seus órgãos genitais, além de ter lhe dado um beijo perto da boca. “Disse que gostava muito de mim, que queria me ver ordenado padre”, completou.

Outra situação que se repetia, segundo os jovens, eram as conversas sobre uma suposta cura para a homossexualidade. Os ex-seminaristas relatam que o arcebispo lhes entregou um livro em que são descritos procedimentos para o que ele chamava de “tratamento”.

“Você lia o livro e dizia assim, que ser homossexual é uma doença, que a gente precisava ser tratado e ajudado”, disse “V”.

Investigação e defesa

Os ex-seminaristas procuraram a Polícia Civil e o MP-PA em agosto do ano passado. Em nota ao “Fantástico”, o MP disse ter recebido as denúncias e encaminhado à polícia, que confirma ter instaurado inquérito para investigar o caso. Como o processo corre em sigilo, ninguém pôde dar entrevistas.

A reportagem do “Fantástico” teve acesso a informações que indicam que um bispo representante da Santa Sé, no Vaticano, esteve em Belém para apurar as acusações contra Dom Alberto. Ele teria conversado com os ex-seminaristas e com os padres que acompanharam o caso, além do próprio arcebispo.

Dom Alberto chegou a publicar um vídeo para se defender do que chama de “falsas acusações de imoralidade”, mas não citou o teor das denúncias.

“Fui acusado de crimes de ordem moral, sem que me tenha sido dada a oportunidade de ser ouvido. Foram denúncias enviadas à Santa Sé, que provocaram uma Visita Apostólica, encerrada nesta semana; foi instaurado um processo em curso junto às autoridades civis”.

“Lamento que os pretensos acusadores tenham optado pela via escandalosa, com circulação de notícia na mídia nacional, sem as devidas apurações dos fatos, ao que tudo indica, visando causar danos irreparáveis à minha pessoa e provocar abalo na Santa Igreja”, declarou o arcebispo, concluindo que confia em sua inocência.

Veja o vídeo abaixo:


Fábio de Melo e Marcelo Rossi

Após a produção da reportagem, a equipe procurou opiniões a respeito do caso dentre lideranças da Igreja Católica. Os padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo prestaram solidariedade a dom Alberto Correia.

“Dom Alberto já me amparou muitas vezes. Eu gostaria que as minhas orações e o meu carinho fizessem o mesmo por ele, neste momento”, disse o padre Fábio de Melo ao Fantástico. “Nessa hora de combate, estamos juntos em oração”, declarou o padre Marcelo Rossi.

Por conta das declarações, os padres Fábio de Melo e Marcelo Rossi foram alvo de críticas nas redes sociais na noite de domingo e nesta segunda-feira. Veja algumas publicações abaixo criticando os padres.





Nota da Arquidiocese de Belém sobre a reportagem do Fantástico

“A Arquidiocese de Belém reitera ao povo de Deus, com transparência e serenidade, que está acompanhando as investigações em curso, com a certeza e a confiança de que, ao final, prevalecerá a verdade.

Informa ainda que, devido ao sigilo imposto e em respeito às leis, não pode divulgar mais informações.

Este é o momento de renovar o nosso senso de comunhão e solidariedade, porque, como disse o Apóstolo, referindo-se à Igreja, “quando um membro sofre, todos os membros participam do seu sofrimento; se um membro é honrado, todos os membros participam de sua alegria” (1Cor 12, 26).

Por fim, pede à comunidade dos fiéis que continue a rezar pela Igreja, por intercessão da Santíssima Mãe de Deus, a Virgem Maria, para que não desanimemos diante das provações pelas quais estamos passando.”

Ao “Fantástico”, o advogado do arcebispo, Roberto Lauria, disse que ele ainda não foi ouvido pela polícia ou pelo MP, mas “está à disposição”.

“Obviamente que a primeira coisa a ser dita é a negativa e o repúdio a essa denúncia”, afirmou. “Nós vamos provar ao final desse inquérito que, diferentemente do que se pensa, os denunciantes não são quatro pessoas isoladas. São um grupo de pessoas que têm um profundo recalque, um profundo sentimento de vingança por Dom Alberto.”

Fonte: UOL e DOM TOTAL

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