terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Igreja Universal teria sido usada para lavagem de dinheiro, diz Ministério Público


 

Investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro apontam que a Igreja Universal do Reino de Deus era usada pelo prefeito Marcelo Crivella, preso na manhã desta terça-feira (22), para a lavagem do dinheiro recebido em propinas.

Segundo o documento do MP, Crivella possui uma estreita relação religiosa com o ex-tesoureiro de campanha, Mauro Macedo, primo do Bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, e Eduardo Benedito Lopes, também bispo da instituição.

De acordo com as investigações, entre maio de 2018 e abril de 2019, a Igreja Universal teria movimentado cerca de R$ 6 bilhões. Segundo o MP, há indícios do uso da instituição para lavar dinheiro do ‘QG da Propina’.

Os promotores ligam o que entendem ser uma “movimentação financeira anormal” a uma indevida utilização da igreja para ocultação da renda com o esquema de propinas.
QG da Propina

A suspeita veio à tona pela primeira vez em setembro deste ano com base em dados revelados em um relatório de inteligência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão do Ministério da Fazenda), que verificou entrada de dinheiro vivo e transferências bancárias nos CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) ligados da igreja. Na época, os envolvidos negaram participação no suposto esquema.

Bispo licenciado da Universal, Crivella é acusado de envolvimento com o chamado “QG da Propina”, como ficou conhecido o esquema de liberação de contratos na Prefeitura do Rio.

Primo de Edir Macedo e ex-tesoureiro das campanhas eleitorais de Crivella, Mauro Macedo é acusado de integrar o esquema em conjunto com Crivella.

Segundo a investigação, o suposto esquema também contava com as participações do bispo e ex-senador Eduardo Benedito Lopes (Republicanos) e do empresário Rafael Alves. Eles foram identificados como os operadores financeiros do chamado “primeiro escalão” do grupo criminoso.
Como funcionava o esquema, segundo o MP

O grupo, acusado de comandar um esquema ilegal que atuava na Prefeitura do Rio, responde pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

De acordo com as investigações, empresas que desejavam fechar contratos com a prefeitura ou tinham recursos a receber do município eram obrigadas a pagar propina a Rafael.

Em troca, o empresário facilitava a assinatura dos contratos e o pagamento das dívidas. Contra ele, a polícia também cumpre um mandado de busca e apreensão de uma lancha que está em Angra dos Reis, na região da Costa Verde do Rio.

Também há mandados contra Fernando Morais (delegado), Cristiano Stokler e o empresário Adenor Gonçalves. O UOL entrou em contato com os advogados dos suspeitos, mas ainda não obteve retorno.

A ação em conjunto entre MP-RJ e Polícia Civil que levou à prisão de Crivella é um desdobramento da Operação Hades, deflagrada em março deste ano.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, que é bispo licenciado da Igreja Universal e sobrinho de Edir Macedo, foi preso na manhã desta terça-feira (22), em sua casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade. O político é alvo de uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil, que investiga a extorsão de empresários que tinham interesse em fechar contratos com a Prefeitura.

Fonte: UOL e O São Gonçalo

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