Lideranças evangélicas no Ceará têm reforçado articulação junto ao governador do Estado, Camilo Santana (PT), pela reabertura de templos evangélicos fechados por decreto com diretrizes de combate à pandemia do novo coronavírus, que se alastra pelo Estado.

A administração estadual ouviu reivindicações de pastores por meio de videoconferência na última sexta-feira, 24.

No mesmo dia da reunião, membros da Ordem dos Ministros Evangélicos do Ceará (Ormece) assinaram nota pedindo a retirada dos templos do decreto estadual que estampa série de restrições ao convívio social.

A alegação central deles é de que a determinação vai na contramão do princípio constitucional que assegura o exercício de cultos religiosos e a proteção aos locais de prática da fé.

“Se o vírus ataca o corpo, o pânico, a fobia, a depressão, a solidão, a desorientação e o desespero surgem também nesse momento. Pessoas têm cometido ou tentado suicídio”, argumentam os pastores em um dos trechos do documento.

Os religiosos têm o apoio político dos deputados estaduais protestantes Dra. Silvana (PL), David Durand (Republicanos) e Apóstolo Luiz Henrique (PP). Deputado federal e esposo de Silvana, Jaziel Pereira reforça o pleito dos aliados.

O vice-presidente da Convenção das Assembleias de Deus do Ceará (Conadec), João Gonçalves, afirmou diretamente a Camilo na reunião que “nosso povo é obediente” e as igrejas podem coordenar a ida dos fiéis às igrejas seguindo protocolos de segurança e saúde. Para isso, de acordo com a sugestão dele, as celebrações podem ocorrer até mesmo com público reduzido.


“Se o senhor (Camilo) determinar que cada culto funcione com cinquenta pessoas, vai funcionar, sim, cada culto com 20 pessoas, vai acontecer”, propôs Gonçalves de acordo com vídeo obtido por O POVO.

O Governo do Ceará se move no sentido de definir um modelo de flexibilização das medidas de isolamento social, seguindo o que outros estados estão fazendo. Vários setores já foram ouvidos para a definição de novas regras. Os templos religiosos trabalham para pelo menos estarem inseridos no novo decreto, caso não sejam contemplados anteriormente. As atuais diretrizes são válidas até o próximo dia 5.


Nelson Martins, secretário de Relações Institucionais do Governo e um dos encarregados pelo diálogo com o Legislativo estadual, afirmou que todos os parlamentares receberão atenção do Governo, sejam ou não apoiadores de Camilo.

“Estamos administrando uma alternativa em relação a isso. Problema é que estamos dentro de uma pandemia, onde os casos em Fortaleza estão crescendo muito. Estamos aguardando até o dia 5 de maio (quando expira o decreto do governador), que é quando teremos nova decisão em relação à continuidade das medidas”, afirmou o secretário.

Martins ainda frisou que a importância de todas as igrejas é reconhecida pela gestão, com a ponderação de que Camilo tem trabalhado com base nas orientações técnicas. Martins lembrou que uma das alternativas buscadas tanto por católicos como por evangélicos é a realização de cultos online.
Fonte: O Povo

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