segunda-feira, 6 de maio de 2019

Casal testemunhas de Jeová abandona filha de 11 dias por medo de religião



O medo da repressão religiosa fez o casal de testemunhas de Jeová Antônio Querino dos Santos, 32, e Claudete dos Santos, 23, abandonar a filha, Daiane, de 11 dias de vida, na madrugada de sábado.

O bebê foi deixado dentro de uma banheira infantil em frente à casa de Jamil Naief, também testemunha de Jeová, em Guarulhos. Naief, que já foi chefe da comunidade religiosa da cidade, disse que conhecia Querino das reuniões.

O casal foi preso cerca de uma hora depois de abandonar a filha. O carro, um Passat verde, foi localizado através da placa, anotada por um vizinho.

Junto da criança havia um bilhete dizendo que ela estava sendo abandonada por dificuldades financeiras dos pais e por medo da perseguição religiosa.

Na delegacia, Claudete chorava muito e disse querer a filha de volta. Ela ficou grávida antes de seu casamento, que teria acontecido em dezembro, segundo o cunhado de Querino, José Garbosa.

A sua religião condena relações sexuais antes do casamento, por “violar as leis de Deus”.
Para esconder a gravidez, o casal teria viajado para Sete Quedas (MS), onde teriam se casado. Quando voltaram, foram recebidos com festa no salão do Reino de Jeová que Querino frequentava.


“Não notamos nada, até porque não conhecíamos a Claudete antes. Não percebemos que ela estava grávida”, disse Renato Silva, um dos ministros do salão.
Silva afirma estranhar a atitude do casal. Segundo ele, a religião não reprime nem discrimina quem comete esse tipo de “pecado”.

“O que faríamos é aconselhá-los a se casar. Mas se já haviam feito isso, não há razão para medo. Não expulsamos ninguém. Só se desliga da religião quem quer.”
Garbosa diz que os problemas financeiros não eram justificativa. “Podíamos ficar com a menina.”

Por enquanto, Daiane está com o casal Flávio e Maria da Penha de Oliveira, vizinhos da casa de Jamil Naief, que ficarão com a guarda provisória do bebê.
Pelo Código Penal, o casal pode ser processado por abandono de recém-nascido para “ocultar desonra própria”. A pena é de 6 meses a 2 anos de prisão.
Procurados ontem em sua casa, eles não foram encontrados.
Fonte: Folha de São Paulo

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