quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Pastores se mobilizam para prevenir casos de suicídio entre colegas de ministério



Os casos de suicídio entre pastores evangélicos foi um dos temas tratados pela Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB-SP) em um simpósio realizado na última segunda-feira, 26 de novembro. O foco do evento era alertar aos sacerdotes sobre a necessidade de ações preventivas para que um diagnóstico evite desfechos trágicos.

No Brasil e no mundo uma sequência de casos de suicídios de pastores, das mais diversas correntes teológicas, tem assombrado fiéis e lideranças cristãs. Ao longo de 2018 alguns casos foram registrados, sendo que o mais recente envolveu a morte de um jovem pastor ligado à Assembleia de Deus Catedral do Avivamento, liderada pelo pastor Marco Feliciano (PODE-SP).



O evento realizado no templo da Igreja Batista Boas Novas, na Vila Zelina, zona leste de São Paulo (SP), abordou problemas de saúde que comumente acometem pessoas que terminam por praticar o suicídio, como transtornos emocionais, depressão, síndrome de burnout, obesidade, sedentarismo e outros.

As medidas preventivas, segundo matéria publicada pela Convenção Batista do Estado de São Paulo (CBESP) envolvem maior “proximidade entre pastores, práticas de atividades esportivas e até recusar excesso de compromissos estiveram nas sugestões para proteção da saúde mental”.

Dentre os palestrantes do simpósio – que teve transmissão simultânea na página da entidade no Facebook – estavam o pastor Abner Morilha, psicólogo, professor da Faculdade Teológica Batista de São Paulo e coordenador do Programa de Mentoria do Projeto Josué, do psiquiatra Ismael Sobrinho, e do pastor Roberto Silvado, presidente da Convenção Batista Brasileira (CBB).


Morilha destacou a necessidade de combater elementos estranhos ao ministério pastoral, como a preocupação exagerada com “boa performance” do pastorado, e ressaltou que ambientes como o proporcionado pelo Projeto Josué são importantes por dar liberdade para abrir questões pessoais. “É onde eu posso falar sem medo de repressão”, afirmou.

O psiquiatra Ismael Sobrinho argumentou que pessoas deprimidas manifestam tendência ao pessimismo: “O deprimido perde as coisas mais difíceis. Depois, vai perdendo as que dão prazer a ele”, explicou, apontando um dos primeiros sintomas evidenciados pelos pacientes, que passam a abrir mão de fazer tarefas mais trabalhosas.

O pastor Silvado pontuou que os pastores precisam estabelecer corretamente as prioridades em suas rotinas, resgatando a teoria dos círculos concêntricos, de Ernest Mosley, para destacar a necessidade de os ministros priorizarem seu relacionamento cristão e pessoal indo, então, em direção à comunidade. Além disso, o líder da CBB propôs um momento de interação entre os pastores para enfatizar o valor da criação de “ambientes de relacionamentos significativos”.

Por fim, o pastor dirigente da Igreja Batista Boas Novas, Vagner Vaellati, comentou que eventos com essa missão “muda a vida dos pastores” por mostrar que é possível contornar e superar os desafios: “Os pastores precisam de salvamento. Temos que salvar os que estão sofrendo”.





Notícias Gospel

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