quarta-feira, 21 de março de 2018

Suicídio de pastores: “Eles não são super-heróis”, comenta Ronan Dorneles



As notícias sobre o suicídio de pastores deixaram a Igreja Brasileira em alerta e vários grupos começaram a pensar em formas de abordar o tema com os pastores e ajudá-los em questões emocionais, dando apoio, se preocupando com a saúde mental deles.


Em entrevista ao JM Notícia, o pastor Ronan Dorneles de Sousa, que é formado em psicologia, comentou sobre o que pode levar um líder religioso conhecedor da Palavra a tirar a própria vida e fez um alerta: “o pastor tem que saber que ele não é um super-herói”.

“O pastor, por mais capacitado que ele seja ele precisa entender o seu limite e ele tem que saber que ele não é super-herói, ele tem suas limitações”, declarou o pastor auxiliar da Igreja Assembleia de Deus Nação Madureira de Palmas (TO).

Como profissional da área de psicologia, ele lista uma série de razões que podem levar alguém a tirar a própria vida, entre elas a ansiedade, o arrependimento, o remorso, perda de um ente querido, baixa estima, transtornos mentais, abusos sexuais, entre outros problemas de ordem emocional ou hormonal.
“São vários os fatores. A ciência classifica o suicídio como biológico, dizendo que ele é a baixa das taxas hormonais, causada por disfunções neurais. Outros falam de genética, por meio de um modelo psicológico que leva a pessoa a se matar. Outros listam os fatores sociais, pressão coletiva”, explica.

Como teólogo, o pastor diz que a Bíblia tem seis casos de suicídio, como Judas e Sansão. Mas não é possível determinar se a pessoa que comete suicídio está ou não condenada. “É preciso ver qual o motivo que levou a pessoa a se suicidar. Uma pessoa que está sob qualquer pressão, essa pessoa não pode responder pelo ato que a levou a morte. Eu prefiro contar com a misericórdia de Deus. Temos que deixar Deus julgar”, declarou o pastor.

Ele ainda cita que, em seu modo de ver, uma pessoa que confessou Jesus, mas adoeceu e essa doença (como a depressão) a levou a cometer suicídio não deverá ser condenada. “Eu acredito na equidade de Jesus Cristo e que essa pessoa não será condenada. Mas uma pessoa sadia é diferente”.



Número de pastores que se suicidam gera tristeza

Nos últimos meses noticiamos alguns casos de suicídio entre pastores brasileiros. Números que crescem não apenas no Brasil, mas em outros países onde o assunto já vem sendo trabalhado diante das proporções que vem alcançado.

Como um pastor que ajuda tantas pessoas pode se perder em seus próprios problemas? Para o pastor Ronan Dorneles é o motivo é a falta de entendimento para encaminhar os fiéis com problemas para especialistas, no lugar de deixar todas as situações nas mãos dos pastores.

“Nós, pastores, temos muitos objetivos a serem alcançados e muitos não estão preparados. Há casos que devem ser tratados por advogados, por psicólogos, por médicos, por outros especialistas. O pastor deve se preparar para ministrar a palavra e acompanhar as pessoas. Eu acredito no poder da oração, na força do jejum e na Bíblia, mas só isso não nos capacita para resolver os problemas de nossos fiéis”, afirma.

Muitas vezes é esse sentimento de frustração que leva os líderes a adoecerem e optarem pelo suicídio.

JM Noticia

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