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Congresso aprova perdão de dívidas de MEI e amplia limite de faturamento


Visão geral de microempreendedor organizando contas e planejamento financeiro em escritório — Foto: Divulgação/Sebrae

Medida alcança 3,6 milhões de empreendedores com débitos de R$ 12,6 bilhões; especialistas alertam que renegociação exige mudança na gestão financeira.
Por Redator18/10/2026 07:28


O Congresso Nacional decidiu pela concessão de perdão de dívidas aos Microempreendedores Individuais (MEI), em uma medida articulada pelo Senado e pela Câmara dos Deputados para conferir fôlego financeiro a milhões de pequenos negócios. A decisão, consolidada em projeto de lei complementar, abrange débitos contraídos até 13/10/2026, atingindo cerca de 3,6 milhões de empreendedores e um montante de aproximadamente R$ 12,6 bilhões em dívidas.

Além do perdão, o texto amplia o limite anual de faturamento da categoria e autoriza a contratação de até dois funcionários, sob condições específicas. Embora o alívio imediato seja celebrado, economistas alertam que a medida trata o sintoma e não a causa raiz do endividamento, que frequentemente decorre da falta de crédito barato, da ausência de planejamento e da mistura perigosa entre patrimônio pessoal e empresarial.

Para Luis Otávio Leal, sócio e economista-chefe da G5 Partners, a renegociação sem uma reestruturação administrativa tende a ser temporária. "Programas de perdão não atingem o cerne do problema, que é a falta de educação financeira para separar a vida pessoal da empresarial", pondera o especialista. Segundo ele, é comum que o empreendedor recorra ao caixa do negócio para honrar despesas domésticas, como faturas de cartão de crédito, obrigando a empresa a buscar empréstimos com juros elevados para manter a operação.

A distinção entre o empreendedorismo por oportunidade e por necessidade também é crucial. Enquanto o primeiro se estrutura sobre o planejamento e a visão de futuro, o segundo surge como alternativa imediata de renda. Para mitigar riscos, Antonio Maciel, planejador financeiro CFP pela Planejar, recomenda a regra dos "dois bolsos": tratar o dinheiro da empresa e da família como recursos distintos. "O fato de o empreendedor ser o dono não transforma todo o faturamento em renda disponível", destaca Maciel.

Especialistas reforçam que a solução sustentável exige que políticas de apoio integrem a renegociação de dívidas ao acesso facilitado a linhas de crédito subsidiadas e à qualificação constante, citando o papel estratégico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) na orientação desses gestores.

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