A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento formado por pastores, teólogos e fiéis de diferentes denominações, divulgou uma carta aberta dirigida ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrando transparência e imparcialidade na condução das investigações relacionadas ao Banco Master.
A manifestação chama atenção também pelo posicionamento político recente da organização. Em agosto, a Frente declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que a candidatura estaria alinhada aos valores cristãos. No mesmo posicionamento, fez críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A posição eleitoral do movimento também foi noticiada pela CNN Brasil.
Agora, ao se dirigir a Mendonça, o grupo utiliza justamente a identidade cristã do ministro. A Frente afirma reunir presbiterianos, batistas, metodistas, luteranos, pentecostais e integrantes de outras denominações e apresenta a carta como uma manifestação de “irmãos e irmãs em Cristo”.
“Como irmãos e irmãs em Cristo, pedimos que o senhor escolha a transparência. O Brasil precisa saber o que aconteceu. Tudo o que aconteceu”, afirma o documento.
Grupo pede retirada de sigilo
A cobrança vai além de uma manifestação genérica. A Frente pede que sejam abertas as informações das investigações que possam ser divulgadas sem prejudicar as diligências, incluindo documentos, mensagens, decisões e relações identificadas no caso. O movimento também critica o que classifica como “vazamentos seletivos”, argumentando que a verdade não deveria ser apresentada de forma parcial.
O grupo defende ainda que um mesmo critério seja aplicado a todos os envolvidos, independentemente de serem aliados, adversários, ministros, candidatos ou pessoas que compartilhem a mesma fé.
A carta utiliza passagens bíblicas para sustentar a cobrança, entre elas João 8:32, com a referência à verdade que liberta, e João 3:21, sobre aquele que pratica a verdade vir para a luz.
“Fé não pode servir de escudo ou palanque”
Em outro trecho, a Frente entra diretamente na relação entre religião, Justiça e política. O movimento afirma que a fé de Mendonça não deve ser utilizada para levantar suspeitas contra outros cristãos.
“Sua fé não deve ser usada para levantar suspeitas contra outros irmãos”, afirma a carta.
Na sequência, o grupo declara que a religião também não pode servir de “escudo, palanque ou instrumento eleitoral” e acrescenta: “O Deus a quem servimos não precisa da proteção do Estado. É o Estado que precisa da justiça e da verdade ensinadas por Ele”.
A manifestação foi divulgada em 10 de setembro, em meio às disputas institucionais provocadas pelas investigações do caso Master. Diferentes veículos registraram que o pedido da Frente é pela divulgação das informações que não prejudiquem as investigações.
Fonte: Estado de Minas/Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
Foto: Reprodução

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