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Após Flávio ganhar vantagem no segmento, Lula recebe evangélicos e diz que não faz política dentro de igrejas


LUIS NOVA / METRÓPOLES @LuisGustavoNova

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta quarta-feira (16), no Palácio do Planalto, em Brasília, um grupo de pastores e lideranças evangélicas do Brasil, dos Estados Unidos e de Cuba. A reunião acontece na reta final da campanha eleitoral e em meio às articulações políticas envolvendo o eleitorado evangélico.

A reportagem da Folha registra que o encontro ocorreu às vésperas da eleição e que iniciativas específicas voltadas ao eleitorado evangélico têm provocado divergências entre aliados do presidente.

Durante a conversa, Lula voltou a defender que templos religiosos não sejam utilizados como espaço para comícios ou atividades político-partidárias. O presidente afirmou que adota essa posição tanto em relação às igrejas evangélicas quanto às católicas.

“Não me convide para ir numa assembleia fazer um comício que eu não vou. Não vou nem na católica e nem da evangélica, porque eu respeito a fé das pessoas”, afirmou Lula. Na sequência, disse que prefere realizar atividades políticas nas ruas, preservando as igrejas como espaço religioso.

O encontro acontece após pesquisa recente apontar que Flávio tem mais de 20 pontos de diferença de Lula junto ao segmento.

Grupo já declarou apoio à reeleição de Lula

Entre os participantes estavam integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. O encontro foi articulado pela coordenadora executiva da organização, Nilza Valeria Oliveira, com a primeira-dama Janja Lula da Silva, segundo a Folha.

A presença do movimento chama atenção pelo contexto eleitoral. A Frente declarou apoio à reeleição de Lula em agosto, por meio de uma carta na qual relacionou sua escolha eleitoral a valores cristãos e fez críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).

A organização também esteve recentemente envolvida em outra discussão de grande repercussão no meio evangélico. Na semana passada, enviou uma carta aberta ao pastor e ministro do STF André Mendonça, cobrando transparência nas investigações relacionadas ao Banco Master. No documento, o grupo afirmou que a fé não deveria servir de “escudo, palanque ou instrumento eleitoral”.

Jorge Messias fala como evangélico

O advogado-geral da União, Jorge Messias, que é evangélico, também participou da reunião e abordou a relação entre fé e política.

Messias afirmou desejar que as igrejas compreendam o caráter sagrado do púlpito. “Eu também quero dizer que eu tenho um sonho de ver o nosso país em que as nossas igrejas elas possam compreender que o púlpito é um lugar sagrado”, declarou.

O advogado-geral também falou de sua identidade cristã e manifestou apoio ao presidente. Segundo o Correio Braziliense, Messias citou a passagem bíblica da multiplicação dos pães e peixes ao falar das políticas sociais do governo.

Encontro em plena campanha

A reunião aconteceu a 19 dias do primeiro turno das eleições de 2026. Uma das organizadoras, Valéria Zacarias, afirmou anteriormente ao SBT News que os participantes brasileiros eram principalmente pastores de igrejas menores e de regiões periféricas. Ela ressaltou que, apesar do período eleitoral, a agenda seria uma reunião com Lula na condição de presidente, e não um ato formal de campanha.

Também participaram religiosos norte-americanos ligados a igrejas que reivindicam o legado de Martin Luther King Jr. na defesa dos direitos civis. O reverendo Bronson L. A. Woods, da Igreja Batista Ebenezer, de Atlanta, estava entre os integrantes da delegação.

Apesar de receber o grupo durante a campanha, Lula reiterou que não pretende transformar templos em palanques eleitorais. “Eu respeito muito o compromisso individual que cada pessoa tem com Deus”, declarou.

Fonte: Folha de S.Paulo, Poder360, SBT News e Correio Braziliense
Foto: Reprodução

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