Pesquisa revela divisão religiosa na corrida presidencial de 2026. - Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil / Fernando Frazão/Agência BrasilA corrida pela Presidência da República em 2026 apresenta uma divisão bastante nítida quando o eleitorado é analisado pela religião. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 14 de agosto mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança entre os eleitores católicos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente entre os evangélicos. O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de agosto e ouviu 2.004 pessoas em todo o país.
Entre os católicos, Lula registra 47% das intenções de voto, contra 27% de Flávio Bolsonaro. A diferença chega a 20 pontos percentuais. Na sequência aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, e Renan Santos (Missão), com 3%. Romeu Zema (Novo) soma 2%, enquanto Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP) têm 1% cada. Os indecisos representam 9%, e 6% afirmam que votarão em branco, nulo ou não pretendem votar. A margem de erro nesse segmento é de três pontos percentuais.
Entre os evangélicos, entretanto, o quadro se inverte. Flávio Bolsonaro aparece com 43%, enquanto Lula alcança 24%, uma vantagem de 19 pontos para o candidato do PL. Renan Santos registra 5%, Ronaldo Caiado, 4%, Romeu Zema e Augusto Cury, 2% cada, e Samara Martins, 1%. Outros candidatos aparecem com 0%. Nesse grupo, 10% estão indecisos e 9% afirmam que votarão branco, nulo ou não votarão. A margem de erro é de quatro pontos percentuais.
O resultado chama atenção porque coloca a religião como um dos elementos que mais diferenciam o comportamento eleitoral dos dois principais candidatos. Enquanto Lula mantém uma vantagem expressiva entre os católicos, Flávio concentra uma parcela maior das intenções de voto no eleitorado evangélico.
O cenário geral
Apesar da forte diferença observada nos grupos religiosos, Lula aparece na frente no conjunto da população. No primeiro turno, o presidente registra 38% das intenções de voto, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 4% cada, enquanto Augusto Cury e Romeu Zema têm 2% cada.
Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, a vantagem é menor. Lula aparece com 43%, contra 40% de Flávio Bolsonaro, resultado considerado tecnicamente próximo diante da margem de erro da pesquisa.
A diferença também aparece em outros recortes do levantamento. Lula mantém vantagem entre os eleitores de menor renda, enquanto Flávio apresenta desempenho mais forte entre os de renda mais elevada. Entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, Lula chega a 52%, contra 23% de Flávio. Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, há praticamente empate: 34% para Lula e 33% para Flávio. Entre os que recebem mais de cinco salários mínimos, Flávio aparece à frente, com 36%, contra 31% de Lula.
Religião e voto
O recorte religioso não é uma novidade nas eleições brasileiras, mas ganha importância em 2026 diante da consolidação do eleitorado evangélico como um segmento eleitoral numeroso e politicamente relevante.
Os dados da Quaest mostram que a preferência dos dois grupos religiosos não apenas é diferente, mas segue direções opostas. Entre católicos, a vantagem de Lula sobre Flávio é de 20 pontos. Entre evangélicos, Flávio supera Lula por 19 pontos.
Isso não significa, porém, que todos os católicos votem em Lula ou que todos os evangélicos apoiem Flávio. A própria pesquisa mostra a existência de parcelas de indecisos e de eleitores que optam por outros candidatos, além de votos brancos e nulos.
O resultado também precisa ser interpretado como um retrato do momento da campanha, e não como uma previsão do resultado eleitoral. A coleta ocorreu de 10 a 13 de agosto, antes de novas movimentações políticas e da evolução da campanha eleitoral.
Como foi feita a pesquisa
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre 10 e 13 de agosto de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para o conjunto da amostra. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06773/2026. Nos recortes religiosos, a margem de erro é de três pontos entre católicos e quatro pontos entre evangélicos.
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