
Lula avalia realizar evento para dialogar com evangélicos no RJ. - Foto: Ricardo Stuckert
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia realizar, nas próximas semanas, um evento voltado especificamente ao eleitorado evangélico. A possibilidade é discutida dentro da equipe do candidato e o Rio de Janeiro aparece como provável local. A iniciativa, porém, ainda não está confirmada e divide os aliados do presidente sobre a melhor estratégia para conquistar espaço entre um segmento no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresenta vantagem.
A discussão ocorre em um momento em que as campanhas presidenciais intensificam a busca pelo voto evangélico. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto mostra Flávio Bolsonaro com 48% das intenções de voto entre os evangélicos em um eventual segundo turno contra Lula, que aparece com 33%. O levantamento indica, entretanto, redução da distância em relação às rodadas anteriores: em julho, Flávio tinha 53% e Lula, 31%.
Os números ajudam a explicar a preocupação da campanha petista. Embora o eleitorado evangélico não forme um bloco político homogêneo, trata-se de um segmento numeroso e eleitoralmente relevante. A estratégia discutida pelo entorno de Lula, segundo a Folha, envolve justamente encontrar uma maneira de dialogar com esse público sem transformar a iniciativa em uma aproximação considerada artificial ou excessivamente eleitoral.
Aliados divergem da estratégia
Segundo informações da Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira (18), dentro da campanha de Lula há avaliações diferentes. Uma ala defende uma atuação mais direta, com encontros e atividades voltadas aos evangélicos. Outra considera que um grande ato específico poderia produzir o efeito contrário ao desejado e prefere uma aproximação por meio de políticas públicas e de uma mudança na comunicação do presidente. O debate também envolve a forma como Lula aborda temas relacionados à família, à fé e aos costumes.
A senadora Eliziane Gama (PT-MA), que é evangélica e atua como interlocutora de Lula com esse eleitorado, defende uma aproximação mais direta. Na avaliação apresentada à Folha, encontros com denominações e lideranças religiosas poderiam contribuir para ampliar o diálogo do presidente com o segmento.
Já a vereadora Aava Santiago (PSB-GO), também evangélica e integrante da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, apresenta outra leitura. Segundo a reportagem, ela avalia que parte dos evangélicos está cansada da politização das igrejas e considera mais eficaz apresentar resultados concretos do governo do que promover um ato exclusivamente destinado ao segmento. Entre os exemplos citados estão medidas relacionadas ao Imposto de Renda, à renegociação de dívidas e à discussão sobre a escala de trabalho 6×1.
A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), outra importante interlocutora do presidente com os evangélicos, chama atenção para a diversidade existente dentro do segmento. A avaliação é que a estratégia petista não deveria partir da ideia de que existe apenas um perfil de eleitor evangélico ou de que o partido precisa escolher quais grupos religiosos pretende alcançar.
A possível realização de um evento também não surge isoladamente. A campanha de Lula já vem ampliando os acenos aos evangélicos. No lançamento oficial de sua campanha, realizado no domingo (16), em São Bernardo do Campo (SP), o presidente adotou um tom mais moderado e fez referências a temas considerados importantes para o segmento.
Flávio também investe nos evangélicos
Do outro lado da disputa, Flávio Bolsonaro também vem estruturando uma estratégia específica para ampliar sua presença entre os evangélicos. Em julho, ele publicou um vídeo de pré-campanha com mensagens direcionadas aos evangélicos, em uma demonstração de que o segmento está entre os públicos prioritários de sua estratégia eleitoral.
O cenário coloca as duas principais candidaturas em uma espécie de corrida pelo diálogo com um eleitorado que, apesar de apresentar tendências políticas predominantes, está longe de ser uniforme. A própria redução da vantagem de Flávio na série da Quaest mostra que as preferências podem se movimentar durante a campanha. Entre maio e agosto, a vantagem do senador sobre Lula caiu de 37 para 15 pontos percentuais no cenário de segundo turno entre evangélicos.
Nesse contexto, a possibilidade de um ato específico para evangélicos representa mais do que uma agenda eleitoral. Ela expõe um dilema enfrentado pela campanha petista: como dialogar com um dos maiores segmentos religiosos do país sem reduzir a fé a uma ferramenta de campanha e sem reforçar a percepção de que igrejas e religião estão sendo transformadas em palanques políticos.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia realizar, nas próximas semanas, um evento voltado especificamente ao eleitorado evangélico. A possibilidade é discutida dentro da equipe do candidato e o Rio de Janeiro aparece como provável local. A iniciativa, porém, ainda não está confirmada e divide os aliados do presidente sobre a melhor estratégia para conquistar espaço entre um segmento no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresenta vantagem.
A discussão ocorre em um momento em que as campanhas presidenciais intensificam a busca pelo voto evangélico. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto mostra Flávio Bolsonaro com 48% das intenções de voto entre os evangélicos em um eventual segundo turno contra Lula, que aparece com 33%. O levantamento indica, entretanto, redução da distância em relação às rodadas anteriores: em julho, Flávio tinha 53% e Lula, 31%.
Os números ajudam a explicar a preocupação da campanha petista. Embora o eleitorado evangélico não forme um bloco político homogêneo, trata-se de um segmento numeroso e eleitoralmente relevante. A estratégia discutida pelo entorno de Lula, segundo a Folha, envolve justamente encontrar uma maneira de dialogar com esse público sem transformar a iniciativa em uma aproximação considerada artificial ou excessivamente eleitoral.
Aliados divergem da estratégia
Segundo informações da Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira (18), dentro da campanha de Lula há avaliações diferentes. Uma ala defende uma atuação mais direta, com encontros e atividades voltadas aos evangélicos. Outra considera que um grande ato específico poderia produzir o efeito contrário ao desejado e prefere uma aproximação por meio de políticas públicas e de uma mudança na comunicação do presidente. O debate também envolve a forma como Lula aborda temas relacionados à família, à fé e aos costumes.
A senadora Eliziane Gama (PT-MA), que é evangélica e atua como interlocutora de Lula com esse eleitorado, defende uma aproximação mais direta. Na avaliação apresentada à Folha, encontros com denominações e lideranças religiosas poderiam contribuir para ampliar o diálogo do presidente com o segmento.
Já a vereadora Aava Santiago (PSB-GO), também evangélica e integrante da Assembleia de Deus Ministério de Madureira, apresenta outra leitura. Segundo a reportagem, ela avalia que parte dos evangélicos está cansada da politização das igrejas e considera mais eficaz apresentar resultados concretos do governo do que promover um ato exclusivamente destinado ao segmento. Entre os exemplos citados estão medidas relacionadas ao Imposto de Renda, à renegociação de dívidas e à discussão sobre a escala de trabalho 6×1.
A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), outra importante interlocutora do presidente com os evangélicos, chama atenção para a diversidade existente dentro do segmento. A avaliação é que a estratégia petista não deveria partir da ideia de que existe apenas um perfil de eleitor evangélico ou de que o partido precisa escolher quais grupos religiosos pretende alcançar.
A possível realização de um evento também não surge isoladamente. A campanha de Lula já vem ampliando os acenos aos evangélicos. No lançamento oficial de sua campanha, realizado no domingo (16), em São Bernardo do Campo (SP), o presidente adotou um tom mais moderado e fez referências a temas considerados importantes para o segmento.
Flávio também investe nos evangélicos
Do outro lado da disputa, Flávio Bolsonaro também vem estruturando uma estratégia específica para ampliar sua presença entre os evangélicos. Em julho, ele publicou um vídeo de pré-campanha com mensagens direcionadas aos evangélicos, em uma demonstração de que o segmento está entre os públicos prioritários de sua estratégia eleitoral.
O cenário coloca as duas principais candidaturas em uma espécie de corrida pelo diálogo com um eleitorado que, apesar de apresentar tendências políticas predominantes, está longe de ser uniforme. A própria redução da vantagem de Flávio na série da Quaest mostra que as preferências podem se movimentar durante a campanha. Entre maio e agosto, a vantagem do senador sobre Lula caiu de 37 para 15 pontos percentuais no cenário de segundo turno entre evangélicos.
Nesse contexto, a possibilidade de um ato específico para evangélicos representa mais do que uma agenda eleitoral. Ela expõe um dilema enfrentado pela campanha petista: como dialogar com um dos maiores segmentos religiosos do país sem reduzir a fé a uma ferramenta de campanha e sem reforçar a percepção de que igrejas e religião estão sendo transformadas em palanques políticos.
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