Candidatos adotam novas estratégias para conquistar eleitores evangélicos no Brasil - Foto: Divulgação/ Ricardo Stuckert/PRPresidenciáveis ampliam presença em igrejas, eventos cristãos e redes sociais para conquistar um eleitorado decisivo nas urnas
Por Cristiano Stefenoni
Faltando poucos meses para as eleições de 2026, a disputa pelo voto evangélico voltou ao centro da estratégia dos principais candidatos à Presidência da República. Diferentemente das eleições de 2018 e 2022, quando a polarização e o apoio explícito de grandes lideranças religiosas dominaram o debate, a corrida eleitoral deste ano revela uma abordagem mais sofisticada e permanente.
Hoje, a estratégia vai muito além de participar de um culto ou aparecer ao lado de um pastor conhecido. Os presidenciáveis têm investido em agendas frequentes com lideranças religiosas, fortalecido sua presença em eventos cristãos, adaptado a comunicação nas redes sociais e incorporado uma linguagem de fé aos discursos, enquanto procuram demonstrar afinidade com valores considerados importantes para grande parte do eleitorado evangélico.
Flávio Bolsonaro aposta na identificação religiosa
Entre os presidenciáveis, o senador Flávio Bolsonaro (PL) é apontado como o candidato que mais investe na identidade religiosa como parte da estratégia eleitoral.
Nos últimos meses, ele intensificou sua participação em eventos cristãos, cultos e encontros com lideranças evangélicas. Durante a Marcha para Jesus, em São Paulo, afirmou que o Brasil vive uma “guerra espiritual”, pediu orações para o pai, Jair Bolsonaro, e utilizou expressões como “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, buscando dialogar diretamente com a base conservadora.
Além disso, sua pré-campanha tem utilizado frequentemente referências à fé em vídeos, jingles e materiais de divulgação, reforçando temas como esperança, oração, família e liberdade religiosa.
Outro movimento simbólico foi a divulgação de imagens durante viagem a Israel, incluindo visitas ao Muro das Lamentações e ao rio Jordão, locais que possuem forte significado para muitos cristãos.
Lula busca reduzir a rejeição
Do outro lado da disputa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem adotado uma estratégia diferente. Em vez de enfatizar pautas ideológicas, o governo procura ampliar o diálogo com lideranças evangélicas moderadas, fortalecer a chamada frente evangélica do partido e destacar temas sociais que encontram respaldo em parte das igrejas, como combate à fome, assistência às famílias, inclusão social e proteção aos mais vulneráveis.
Na Marcha para Jesus deste ano, Lula não participou pessoalmente, mas enviou como representante o advogado-geral da União, Jorge Messias. Em discurso, o ministro afirmou que o presidente havia pedido que levasse uma mensagem de comunhão e ressaltou que o evento “não era lugar para comício”, numa tentativa de reduzir a percepção de uso político da celebração religiosa.
A linguagem da fé ganhou espaço
Independentemente da posição ideológica, tornou-se comum encontrar nos discursos expressões como: “Deus”, “oração”, “propósito”, “família”, “valores cristãos”, “liberdade religiosa”, “abençoado” e “fé”.
Nas redes sociais, vídeos de candidatos participando de momentos de oração, visitando igrejas ou sendo recebidos por líderes religiosos têm sido produzidos com frequência. A estratégia busca transmitir autenticidade e identificação com um público que valoriza demonstrações públicas de religiosidade.
Comunhão
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