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“Nepotismo”, “curral eleitoral” e “fim dos usos e costumes”: internautas apontam os problemas que a CGADB precisa enfrentar

 

Presidente da CGADB pode ler ideias dos internautas assembleianos para a próxima AGO da Convenção. Foto: CGADB/Tiago Bertulino

1. Usos e costumes: da rigidez ao abandono

Um dos temas mais recorrentes foi a perda da identidade assembleiana nos usos e costumes, que foram estabelecidos como norma no próprio ELAD de 1999. Muitos leitores lamentaram que o que antes era doutrina virou “modismo” ou foi abandonado.

Religião e crença

“No meu não podia usar certas roupas tipo apertadas demais nem com calça apertada e nem mulher com vestidos e saias pra marcar o corpo. Hoje se não mostrar todas as marcas e volumes não tá bom. Eu uso porque eu tenho marca e fui ensinada e jamais mudarei as minhas vestes. Tudo que aprendi no passado sigo até hoje e até Jesus voltar” — testemunhou uma fiel.

“Inverteram os valores. Mudaram o rumo. Festas no lugar da Palavra, despedida de obreiro no lugar da Palavra, peça teatral menos tempo para a Palavra, enfeites de natal, montagem de páscoa com atributo de presépio, etc.” — criticou outro irmão.

“A culpa disso tudo é da liderança. Eles que proibiam e depois escancaram conforme as suas próprias conveniências. Quando a igreja se tornou empresa, cargo de pastor se tornou profissão e filhos e agregados se tornaram herdeiros, todo o ensinamento genuíno, a ética e o respeito acabaram” — denunciou uma fiel.

“Infelizmente, nossa igreja já não é a mesma. Mundanismo entrou e ficou. Muitos pastores pra não bater de frente dizem que usos e costumes não são doutrinas, portanto ninguém fale sobre isso. Daqui a pouco não se sabe mais quem é quem” — lamentou um irmão.

“A igreja assembléia de Deus já foi uma igreja bíblica. Hoje ela também faz uso das falsas doutrinas antibíblicas: doutrina da prosperidade, confissão positiva, doutrina do reteté” — listou um internauta.

O pastor Jesiel Padilha já havia incluído a mudança de liturgia entre os temas que precisam ser debatidos. Os leitores foram além: a liturgia, os usos e costumes e a doutrina, segundo eles, estão sendo substituídos por entretenimento e modismos que descaracterizam a identidade assembleiana.
2. Engajamento político nos púlpitos e uso eleitoral da igreja

Outro ponto amplamente criticado foi o uso das igrejas como palanque político. Leitores apontaram que a aproximação entre pastores e candidatos tem transformado os templos em “currais eleitorais”.

“Virou politicagem dentro e fora da igreja… não estou falando de política, já que enchem os púlpitos de candidatos pra puxar o saco” — comentou um assembleiano.


“O excesso de secularismo, o envolvimento exacerbado de pastores em política, a tomada de parte publicamente nos assuntos partidários em ano eleitoral por parte das convenções e ministérios” — listou um presbítero.

“O cristão verdadeiro não se mistura com política de esquerda ou de direita” — afirmou um fiel.

“A igreja tem que se afastar da política, voltar a ser igreja!” — escreveu outro irmão.


3. Nepotismo e hereditariedade no ministério

A transmissão de cargos pastorais dentro de famílias — prática conhecida como nepotismo eclesiástico — também foi alvo de duras críticas.

“O nepotismo é o grande mal nas ADs. Pior, alegam que é direção de Deus” — denunciou um internauta.

“Deveria se preocupar também com os salários excessivos… e com a moda de passar a igreja de pai pra filho” — apontou uma fiel.


“Faltou as ditaduras eclesiásticas das Assembleias de Deus que passa de pai para filho” — criticou um jovem.
Religião e crença


“Uma questão que deve ser debatida é a hereditariedade nas igrejas. Pastores consagrando filhos, netos e demais familiares. Assim a igreja tem se tornado um pequeno reino hereditário, onde os fiéis são súditos dos pastores e seus familiares” — denunciou outro.

4. Endeusamento de líderes e enriquecimento

A crítica ao culto à personalidade e ao enriquecimento de lideranças apareceu com força em diversos comentários.

Locais de culto




“O endeusamento de líderes tem aumentado. As sedes têm se distanciado muito da simplicidade das congregações” — afirmou o próprio pastor Padilha, ecoado por muitos leitores.


“Pastores ficaram ricos e estão ficando. E os membros pobres” — comentou uma irmã.


“Os líderes se tornaram soberbos e caíram na cilada do diabo. É hora de refletir sobre nossos caminhos”.


“A igreja se tornou empresa, cargo de pastor se tornou profissão e filhos e agregados se tornaram herdeiros. Toda a ensinamento genuíno, a ética e o respeito acabaram” — denunciou outra internauta.


5. Desigrejados: por que tantos estão saindo?

O fenômeno dos desigrejados — cristãos que deixam de frequentar templos sem abandonar a fé — foi apontado como um sintoma da crise.


“Por qual motivo o número de desigrejados tem crescido tanto?” — perguntou o pastor Padilha, e os leitores responderam.


“Sou prova viva. Fui criado na Assembleia; hoje, com 48 anos, tive que sair, pois já não concordo com tanto escândalo, corrupção e endeusamento dos seus líderes” — testemunhou um ex-assembleiano.

“Eu ia sugerir algo no sentido de contribuir, mas estou saindo da AD, depois de 35 anos” — confessou um irmão.

“Muitos cultos deixaram de ser interessantes. Só se falava em política e dinheiro. Se não abrirem os olhos, o número de desigrejados vai aumentar ainda mais” — alertou outro.

6. Outras pautas sugeridas pelos internautas

Os leitores também apontaram outros temas que consideram urgentes:Salários excessivos de pastores: “Deveria se preocupar com os salários excessivos que estão sendo pagos para os pastores, com os carros de altos valores”
Uso de imagens e símbolos: “A cruz está sendo inserida devagarzinho… só falta a de madeira para pendurar no pescoço”
Comércio da fé: “Comércio da fé, um dos ramos mais rentáveis e lucrativos do mundo. E tudo em nome de Deus”
Volta à Palavra: “O caminho é retornar para as Escrituras Sagradas. Tentar mudar a igreja por meio de tradições, usos, costumes, políticas e preferências humanas não resolve nada”
Cair para trás e outros modismos: muitos citaram práticas condenadas no ELAD de 1999, como “cair no chão, pular, rodopiar” — “eu via no centro espírita quando eu frequentava”.
O que esperar?

A fala do pastor Jesiel Padilha e a reação dos leitores deixam claro que há um sentimento generalizado de insatisfação com os rumos da Assembleia de Deus no Brasil. Os temas apontados — usos e costumes, política, nepotismo, endeusamento, liturgia e o fenômeno dos desigrejados — são, para muitos, sinais de que a denominação precisa de uma reflexão profunda.



O ELAD de 1999 foi uma resposta a influências externas que ameaçavam descaracterizar a doutrina pentecostal clássica. Agora, quase três décadas depois, novos desafios emergem — e o pedido por um novo ELAD ecoa entre os fiéis que veem a igreja se distanciar de suas raízes.

Resta saber se a CGADB e as demais convenções ouvirão esse chamado. O JM Notícia está de olho!

JM Notícias 

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