Deputado Otoni de Paula propõe movimento conservador em apoio a Lula nas eleições, caso haja segundo turno contra Flávio Bolsonaro. - Foto: Reprodução internet
Pastor e deputado federal afirma que há espaço para uma direita conservadora que apoie Lula em um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro
Por Cristiano Stefenoni
O deputado federal e pastor Otoni de Paula (PSD-RJ) voltou ao centro do debate político ao defender a criação de um movimento chamado “Direita com Lula”. Embora tenha afirmado que seu candidato preferencial para o primeiro turno é o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), Otoni disse que mudaria de posição caso a disputa final fosse entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Nunca votei em Lula. Vou votar em Caiado no primeiro turno. Mas, se o segundo turno for entre Lula e Flávio, voto em Lula”, afirmou o deputado durante a entrevista.
A declaração foi dada em entrevista à CNN Brasil e ocorre em um momento em que lideranças políticas já começam a discutir os cenários para as eleições presidenciais de 2026. Segundo o parlamentar, nesse cenário ele apoiaria Lula e defenderia a articulação de um grupo formado por eleitores conservadores que não se identificam mais com o bolsonarismo.
As declarações reforçam o afastamento político de Otoni de Paula da família Bolsonaro. Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro em eleições anteriores, o deputado passou a fazer críticas ao grupo nos últimos anos, especialmente após divergências sobre a condução da direita brasileira.
Na entrevista, ele também avaliou que Flávio Bolsonaro não possui o mesmo capital político do pai junto ao eleitorado evangélico. Segundo Otoni, embora os evangélicos continuem sendo, em sua maioria, um segmento identificado com pautas conservadoras, o apoio ao senador não teria a mesma intensidade observada nas campanhas presidenciais de Jair Bolsonaro.
Para o deputado, existe espaço para uma direita que mantenha valores conservadores, mas que não esteja necessariamente vinculada ao bolsonarismo.
“Direita com Lula”
A proposta apresentada por Otoni consiste na formação de um movimento de pessoas conservadoras que, diante de um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, optariam por apoiar o atual presidente sem abrir mão de suas convicções ideológicas.
A ideia rompe com a polarização tradicional entre lulismo e bolsonarismo, sugerindo que parte do eleitorado de direita poderia migrar para Lula por rejeição à família Bolsonaro, e não por adesão ao projeto político da esquerda. Até o momento, não há informações sobre a estruturação formal desse movimento, que foi citado pelo parlamentar como uma possibilidade política.
Relação com o governo
Apesar da aproximação institucional com integrantes do governo Lula em alguns momentos, Otoni de Paula continua fazendo críticas ao Executivo em temas relacionados a costumes e à interlocução com o segmento evangélico.
Em entrevistas anteriores, o deputado afirmou que o presidente ainda enfrenta dificuldades para dialogar com igrejas evangélicas enquanto permanecer associado a pautas consideradas progressistas por parte desse público.
Ao mesmo tempo, ele defende que os evangélicos não devem estar vinculados automaticamente a um único grupo político, argumentando que a fé cristã deve permanecer acima das disputas partidárias.
Repercussão
As declarações repercutiram rapidamente entre lideranças políticas e religiosas, especialmente por partirem de um parlamentar conhecido por sua atuação entre o eleitorado evangélico e por seu histórico de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O posicionamento também reacende o debate sobre possíveis mudanças no comportamento do voto evangélico nas eleições de 2026. Embora pesquisas recentes continuem mostrando predominância de candidatos de direita nesse segmento, analistas apontam que o eleitorado evangélico não é homogêneo e pode apresentar diferentes comportamentos conforme o cenário eleitoral e os candidatos envolvidos.
Comunhão
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