
Silas Malafaia critica carta do PT sobre fé e política. - Foto: Reprodução redes sociais
A carta divulgada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) após o IV Encontro Nacional de Evangélicos do partido provocou uma reação imediata do pastor Silas Malafaia. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo afirmou que o documento tenta apresentar o partido como defensor de uma separação entre fé e política, mas argumentou que a própria trajetória do PT estaria profundamente ligada à atuação religiosa.
Para Malafaia, o partido não possui autoridade moral para criticar a participação da fé no debate público porque, segundo ele, utilizou esse mesmo elemento em sua origem e em diferentes momentos de sua história. “Quem são eles para fazerem críticas sobre fé e política? Nenhuma”, declarou.
Ao longo da gravação, o pastor recorre a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sustentar sua tese. Um dos principais exemplos apresentados é uma conversa entre Lula e o teólogo Leonardo Boff, na qual o presidente reconhece a importância das Comunidades Eclesiais de Base e dos chamados padres progressistas na formação do PT.
Malafaia destaca o trecho em que Lula afirma que o partido não existiria da forma como existe sem a influência da Teologia da Libertação e da atuação dessas lideranças religiosas. “O PT começou com a fé e com a religião”, resumiu o pastor ao comentar a declaração, apontando o que considera uma contradição entre a origem da legenda e o conteúdo da carta divulgada pelo partido.
O líder evangélico também contestou a narrativa petista sobre a relação entre religião e política ao mencionar a Marcha para Jesus realizada recentemente em São Paulo. Segundo ele, Lula justificou sua ausência no evento afirmando que não mistura fé e política em período eleitoral.
Malafaia, no entanto, rejeitou essa explicação e afirmou que o verdadeiro motivo seria o receio de uma recepção negativa por parte do público evangélico. “Ele não foi na Marcha porque ia tomar uma tremenda vaia”, declarou. Para o pastor, a postura do presidente demonstra uma contradição entre o discurso adotado atualmente e a estratégia utilizada pelo PT em outras ocasiões.
Outro ponto central do vídeo é a carta direcionada aos evangélicos durante a campanha presidencial de 2022. Malafaia relembrou que o documento apresentava Lula como defensor da família e trazia posicionamentos considerados conservadores em temas sensíveis para o eleitorado cristão, como o aborto.
Segundo ele, porém, as ações adotadas pelo governo após a posse caminharam em direção oposta. O pastor citou mudanças promovidas pelo Ministério da Saúde relacionadas a normas sobre aborto legal e lembrou a retirada do Brasil de uma aliança internacional contrária ao aborto como exemplos do que considera uma quebra de compromisso com os eleitores evangélicos. “Eles mentem uma coisa na hora da campanha eleitoral. Depois, quando assumem o poder, está aí a prova”, afirmou.
Na sequência, Malafaia reproduziu uma fala de Lula durante uma reunião do Foro de São Paulo, em 2023, na qual o presidente afirma que a esquerda enfrenta discursos ligados aos costumes, à família e ao patriotismo. Para o pastor, essa declaração revela uma incompatibilidade entre os valores historicamente defendidos pelo PT e aqueles considerados fundamentais por grande parte dos cristãos brasileiros.
Em tom crítico, ele questionou: “Como você, que é um evangélico, um verdadeiro cristão, pode votar num cara desse que combate aquilo que é inegociável da nossa fé?”. Na avaliação do líder religioso, família, costumes e patriotismo fazem parte da base moral defendida por milhões de cristãos no país.
A crítica avançou para o campo ideológico quando Malafaia abordou declarações de Lula sobre socialismo e comunismo. O pastor reproduziu uma fala em que o presidente afirma não se sentir ofendido ao ser chamado de comunista ou socialista, acrescentando que isso seria motivo de orgulho.
A partir desse trecho, o líder evangélico associou regimes comunistas históricos a perseguições religiosas, citando países como China, Cuba e Coreia do Norte. Segundo ele, esses exemplos demonstrariam os riscos de sistemas políticos que restringem a liberdade de culto e de expressão e impõem limitações à atuação das igrejas.
Malafaia afirmou que muitos cristãos condenam a perseguição sofrida por irmãos na fé em nações governadas por regimes comunistas, mas acabam apoiando politicamente grupos que, segundo ele, demonstram simpatia por essas ideologias.
O pastor também associou o comunismo às maiores tragédias humanas do século XX e argumentou que cristãos, tanto evangélicos quanto católicos, estiveram entre as principais vítimas desses regimes ao longo da história. Para ele, esse histórico deveria servir de alerta aos eleitores cristãos brasileiros.
Ao encerrar sua manifestação, Malafaia elevou o tom contra Lula e o PT, classificando-os como “cínicos”, “mentirosos” e “manipuladores”. O pastor afirmou que o partido já não consegue convencer a maioria dos evangélicos e declarou que continuará denunciando aquilo que considera contradições entre o discurso e a prática do governo. “Lula e PT, vocês não enganam mais os evangélicos nem o povo cristão”, afirmou.
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