
Foto: AD Belem
Em uma entrevista emocionante ao pastor Erni, da Sociedade Bíblica do Brasil, o pastor José Wellington Bezerra da Costa Júnior – ex-presidente da CGADB e presidente da Assembleia de Deus Ministério do Belém, em São Paulo – fez uma declaração que surpreendeu muitos ouvintes:
“Eu posso dizer que eu nunca desejei ser pastor.”
A afirmação, feita durante uma live que celebrou os dois anos de um programa de entrevistas, revela uma faceta pouco conhecida de uma das lideranças mais respeitadas da Assembleia de Deus no Brasil.
Pastor José Wellington Bezerra da Costa é uma das lideranças evangélicas mais respeitadas e influentes do Brasil. Nascido no Ceará, dedicou a sua vida inteira à obra de Deus e ao pastoreio. Presidiu a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) por quase três décadas, período de imensa expansão e consolidação da igreja no país, onde hoje atua como Presidente de Honra. Líder também da Assembleia de Deus – Ministério do Belém em São Paulo, ele é um referencial da denominação.
JWBC construiu uma trajetória ministerial que começou não por ambição ou planejamento, mas por uma circunstância aparentemente simples – e que, com o tempo, se revelou como o verdadeiro chamado de Deus.
O início: uma congregação sem dirigente
A história começou na década de 1950, quando o pastor José Wellington, ainda jovem, congregava na Vila Espanhola, na Casa Verde Alta, em São Paulo. A congregação era dirigida por um presbítero que trabalhava na Rádio Tupi.
“O nosso dirigente era o presbítero… ele foi transferido para o período da noite e nós ficamos sem dirigentes.”
Sem ninguém para conduzir os cultos, o pastor do setor foi até ele e disse:
“Olha, fica você.”
A resposta foi imediata e sincera:
“Mas eu não sei.”
O pastor do setor então o orientou: “Faça assim, faça assado.” Com a simplicidade de quem estava disposto a servir, ele respondeu:
“Se é só isso, eu vou experimentar como é.”
E foi o que ele fez. E, como ele mesmo disse com bom humor:
“Não é que eu gostei e até hoje eu continuo falando de Jesus?”
O chamado que vem de Deus, não da vontade humana
Para o pastor José Wellington, a experiência deixou claro que o ministério pastoral não é uma escolha humana, mas uma vocação divina.
“É o chamado de Deus, viu? É Deus que faz. Não é a gente que faz. É Deus que faz.”
Ele reforça que foi Jesus quem colocou isso no seu coração, e que hoje ele pode dizer, com convicção:
“A Assembleia de Deus mora no meu coração.”
A declaração contrasta com a lógica moderna, em que muitos buscam o ministério pastoral como carreira ou posição de destaque. Para ele, o caminho foi inverso: ele não buscou; foi buscado.
Uma vida de fé que começou aos 8 anos
O pastor José Wellington aceitou Jesus Cristo aos 8 anos de idade, em 1942, em Fortaleza, no Ceará. Seu pai foi o primeiro da família a se converter e, em seguida, levou todos os filhos ao Senhor.
“Desde 8 anos, Deus sempre me fez gostar muito da escola dominical para aprender um pouco mais detidamente da Bíblia.”
Ele conta que recebeu do pai sua primeira Bíblia – uma Bíblia popular de capa dura – e que até hoje, mais de 80 anos depois, continua lendo a Palavra de Deus.
“Eu leio a Bíblia desde 42 e ainda não terminei de ler, viu? Cada vez que a gente lê, a gente aprende uma novidade.”
A simplicidade do serviço
Quando começou a dirigir cultos na Vila Espanhola, o pastor ainda era jovem e, segundo ele, tinha medo de falar em público. Ele recorda que o pastor da congregação pedia:
“Irmão Zé, venha de gravata para você falar.”
E ele ia, mas confessa:
“Eu não ia de gravata com medo de falar.”
Mesmo com a timidez, ele começou a dar os primeiros testemunhos e a falar de Jesus. E, desde aquele tempo, como ele diz:
“Ele é tão bom que eu continuo falando até hoje.”
O trabalho no Belém
O pastor José Wellington chegou a São Paulo com uma carta de recomendação para o pastor Cícero Canuto de Lima, então líder da sede da Assembleia de Deus no bairro do Belém. Começou a congregar ali e, com o tempo, foi direcionado para a congregação da Vila Espanhola, onde seu chamado pastoral começou a se desenrolar.
Hoje, décadas depois, ele preside a Assembleia de Deus Ministério do Belém, uma das maiores e mais tradicionais igrejas do Brasil, com um trabalho consolidado em diversas frentes – evangelização, crianças, jovens e missões.
JM Notícias
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