Pesquisa revela que 70% dos evangélicos não confiam em Lula. - Foto: Ricardo Stuckert/PR; Pedro França/Agência SenadoResultado reforça tendência apontada por pesquisas recentes sobre a relação entre o governo e o segmento religioso
Por Cristino Stefenoni
A mais recente pesquisa Ipsos-Ipec, divulgada nesta segunda-feira (22), revela que a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o eleitorado evangélico continua marcada por elevados índices de desconfiança. Segundo o levantamento, 70% dos evangélicos afirmam não confiar no presidente, enquanto o índice geral de desconfiança entre os brasileiros é de 56%.
Os dados mostram que a confiança em Lula permanece estável no cenário nacional. Atualmente, 41% dos entrevistados dizem confiar no presidente, percentual semelhante ao registrado em março, quando o índice era de 40%. Já a desconfiança permaneceu em 56%.
O contraste mais significativo aparece no recorte religioso. Entre os católicos, 51% afirmam confiar em Lula, percentual acima da média nacional. Entre os evangélicos, porém, a desconfiança alcança sete em cada 10 entrevistados, evidenciando a distância política que permanece entre o governo federal e uma parcela importante do segmento religioso que mais cresce no país.
A pesquisa também identificou outros grupos nos quais a confiança no presidente é mais elevada. O índice chega a 94% entre aqueles que avaliam positivamente sua gestão e a 80% entre os eleitores que votaram nele no segundo turno de 2022.
A confiança também é maior entre moradores do Nordeste (60%), pessoas com ensino fundamental (57%), famílias com renda de até um salário mínimo (53%), entrevistados com 60 anos ou mais (52%) e moradores de cidades com até 50 mil habitantes (49%).
O levantamento foi realizado entre os dias 13 e 17 de junho, com 2.000 entrevistas presenciais em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Outras pesquisas também mostram resistência evangélica ao governo
Os números divulgados pelo Ipsos-Ipec reforçam uma tendência observada por diferentes institutos de pesquisa nos últimos anos: o eleitorado evangélico permanece como um dos principais focos de resistência ao governo Lula.
Levantamentos recentes da Genial/Quaest têm apontado que a aprovação do presidente entre evangélicos costuma ficar abaixo da média nacional, enquanto a desaprovação supera os índices registrados em outros grupos religiosos. Em diversas rodadas realizadas desde o início do terceiro mandato de Lula, os evangélicos apareceram como o segmento com os maiores níveis de rejeição ao governo.
Pesquisas do Datafolha também registraram cenário semelhante. Embora o presidente mantenha apoio relevante em setores como o Nordeste, entre eleitores de baixa renda e entre católicos, a avaliação negativa tende a ser mais elevada entre os evangélicos, grupo que foi decisivo para a consolidação da base eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Analistas políticos apontam que fatores como pautas de costumes, posicionamentos sobre família, liberdade religiosa e a forte presença de lideranças evangélicas conservadoras no debate público ajudam a explicar a dificuldade histórica do Partido dos Trabalhadores em ampliar sua penetração nesse segmento.
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