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Colômbia: Segundo turno definirá presidente entre ultraconservador e senador de esquerda


Eleições na Colômbia: Abelardo de la Espriella (à esquerda) e Ivan Cepedo (à direita). — Foto: Reuters

Abelardo de la Espriella e Ivan Cepeda disputam a presidência em 21 de junho, após nenhum candidato obter maioria no primeiro turno.
Por Redator31/05/2026 21:08


A Colômbia definiu que a escolha de seu próximo presidente ocorrerá em um segundo turno, em 21 de junho de 2026. A decisão, tomada neste domingo, 31 de maio, marca a impossibilidade de qualquer candidato atingir a maioria necessária para vencer a eleição presidencial já na primeira etapa. Com 99,92% das urnas apuradas, Abelardo de la Espriella, líder do movimento ultraconservador Defensores da Pátria, obteve a liderança com 43,7% dos votos e disputará a vaga com Ivan Cepeda, senador e filósofo do partido Pacto Histórico, que conquistou 40,90% dos eleitores. A importância dessa disputa reside na definição do futuro político e social do país, ponderando abordagens distintas na segurança pública e na condução de políticas sociais.

Abelardo de la Espriella, conhecido como 'El Tigre', apresenta uma plataforma ultraconservadora com forte ênfase em uma ofensiva militar contra guerrilhas e criminalidade, em contraposição a políticas de diálogo. O candidato propõe, inclusive, a retirada da Colômbia de organismos internacionais como a ONU e a OEA, por ele considerados promotores de 'políticas de esquerda'. A campanha de De la Espriella foi marcada por polêmicas, incluindo a defesa de Alex Saab, empresário acusado pelos EUA de ser laranja do presidente venezuelano Nicolás Maduro, e declarações controversas sobre sua vida pessoal. Registrou-se violência associada à sua campanha, com o falecimento de dois integrantes em 15 de maio.

Em contrapartida, Ivan Cepeda, figura da esquerda colombiana, defende a continuidade das políticas sociais implementadas pelo atual governo de Gustavo Petro. Sua trajetória inclui a mediação de acordos de paz com as Farc em 2016. Cepeda advoga pelo diálogo para encerrar o conflito armado, o aumento do salário mínimo e a reforma agrária. Ele também esteve no centro de um processo judicial contra o ex-presidente Álvaro Uribe, que, contudo, foi absolvido. A campanha de Cepeda visa manter o legado do Pacto Histórico, lidando com desafios como o déficit fiscal e a necessidade de articulação no Congresso para aprovação de agendas.

A segurança pública e o combate à criminalidade foram temas centrais do debate eleitoral. A divergência fundamental entre os candidatos reside na abordagem: o enfrentamento militar proposto por De la Espriella contrasta com o diálogo ampliado defendido por Cepeda. A persistência da violência no país, com grupos dissidentes das Farc disputando controle territorial e lucros do narcotráfico e mineração ilegal, intensifica a polarização. Enquanto Cepeda prioriza o diálogo com grupos armados, críticos apontam a ineficácia dessa política, ao passo que setores da direita, como De la Espriella, defendem uma estratégia militar e a construção de megaprisões.

Análises políticas indicam riscos ao sistema democrático emanados de ambos os espectros. O discurso radical de De la Espriella é visto como uma ameaça à estabilidade institucional e aos acordos de paz, enquanto a polarização exacerbada e a possibilidade de aprofundamento de conflitos sociais, caso a agenda de Cepeda enfrente forte oposição, também representam desafios à democracia colombiana.

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