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Assembleias de Deus celebram 115 anos no Brasil em meio ao crescimento evangélico e a novos desafios



As Assembleias de Deus no Brasil celebram, em 18 de junho de 2026, 115 anos de existência. A data marca a trajetória da maior denominação evangélica do país e uma das principais forças do movimento pentecostal brasileiro.

A igreja nasceu em Belém do Pará, a partir do trabalho dos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren. Eles chegaram ao Brasil após contato com experiências pentecostais nos Estados Unidos, especialmente em Chicago.

Ao desembarcarem no Pará, os missionários se uniram inicialmente à Igreja Batista local. As divergências sobre o batismo com o Espírito Santo, com a evidência do falar em línguas, levaram à formação do grupo que deu origem às Assembleias de Deus. As primeiras reuniões ocorreram na casa de Celina Albuquerque, na Rua Siqueira Mendes, no bairro Cidade Velha, em Belém.

Segundo os dados mais recentes do Censo 2022, o Brasil tinha 47,4 milhões de evangélicos, o equivalente a 26,9% da população de 10 anos ou mais. Em 2010, eram 35 milhões, ou 21,6%. O IBGE, porém, não divulgou no Censo 2022 o número atual de fiéis por denominação, como Assembleia de Deus, Batista, Universal ou Congregação Cristã. Os dados foram organizados por grandes grupos religiosos, sem identificação de subgrupos ou denominações específicas.

Desafios da denominação pentecostal


A celebração dos 115 anos ocorre em um momento de desafios para o pentecostalismo brasileiro. Um deles é preservar a identidade espiritual que marcou a origem do movimento, com ênfase no batismo no Espírito Santo, na oração, na evangelização e nas manifestações espirituais.

Outro desafio está na burocratização das igrejas. À medida que crescem, muitas denominações passam a lidar com estruturas administrativas complexas, redes de templos, comunicação digital, gestão financeira e presença institucional. O risco, segundo críticos do próprio meio evangélico, é a igreja se afastar da simplicidade comunitária que marcou sua expansão nas periferias e pequenas cidades.

As Assembleias de Deus também enfrentam a necessidade de dialogar com novas gerações. Jovens evangélicos cobram respostas sobre desigualdade, racismo, violência, saúde mental, participação pública, cultura e tecnologia. A denominação precisa equilibrar tradição e linguagem contemporânea sem perder sua base doutrinária.

No campo social, as congregações seguem com papel relevante. Em muitas regiões, especialmente onde o Estado chega pouco, igrejas funcionam como pontos de apoio espiritual, emocional e material. Elas acolhem famílias, organizam campanhas, fortalecem vínculos comunitários e ajudam pessoas em situação de vulnerabilidade.

Também há críticas ao uso político da fé, à intolerância religiosa e à Teologia da Prosperidade, corrente que associa fé, sucesso financeiro e vitória pessoal. Esses temas desafiam lideranças pentecostais a separar ação pastoral, responsabilidade pública e compromisso bíblico.
Legado e futuro

Ao completar 115 anos, as Assembleias de Deus consolidam um legado que transformou o protestantismo brasileiro. O movimento saiu de uma reunião doméstica em Belém do Pará para uma rede de igrejas presente em todo o país.

O futuro da denominação dependerá da capacidade de unir tradição e renovação. A Assembleia de Deus continuará forte se preservar sua marca pentecostal, ampliar sua ação social e responder aos dilemas do Brasil atual sem abrir mão de sua identidade espiritual.

Mais de um século depois da chegada de Daniel Berg e Gunnar Vingren, o desafio permanece: manter vivo o fervor que deu origem ao movimento e, ao mesmo tempo, falar com clareza às novas gerações.

JM Notícias 

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