
As Testemunhas de Jeová anunciaram uma mudança em suas diretrizes e passaram a permitir que fiéis utilizem o próprio sangue em cirurgias programadas. A atualização foi divulgada recentemente pela liderança do grupo e vale para procedimentos médicos previamente planejados.
A nova orientação autoriza a retirada e o armazenamento do sangue do próprio paciente antes da operação, com possibilidade de uso durante a cirurgia. A prática, conhecida como autodoação, amplia as opções médicas para os membros da denominação.
Apesar da flexibilização, a proibição ao uso de sangue de doadores externos continua mantida. Segundo a organização, a decisão segue baseada em interpretações bíblicas que tratam o sangue como sagrado.
O líder Gerrit Lösch afirmou que a escolha final cabe a cada fiel. “Cada cristão deve decidir por si mesmo como seu sangue será usado em cuidados médicos e cirúrgicos”, declarou.
Com cerca de nove milhões de seguidores no mundo, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil, o grupo mantém sua posição histórica sobre o tema. A crença sobre a santidade do sangue segue como base da doutrina.
A mudança ocorre após decisões judiciais que reforçaram o direito religioso. Em 2024, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que membros da denominação podem recusar transfusões e determinou que o sistema público ofereça alternativas.
Mesmo assim, a atualização gerou críticas. O ex-integrante Mitch Melon afirmou que a regra ainda limita escolhas em casos graves, como emergências e tratamentos complexos.
Casos judiciais fora do Brasil também mostram o conflito. Em Edimburgo, uma decisão permitiu que médicos realizassem transfusão em uma adolescente, caso fosse necessário para salvar sua vida, mesmo contra sua vontade religiosa.
0 Comentários