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Igreja de Lúcifer busca regularização para operar no RJ



O projeto começou a ser erguido há cerca de dez anos, no bairro Vila Esperança, em Itatiaia (RJ) - Foto: Reprodução/Instagram



Templo luciferiano enfrenta impasse com a prefeitura de Itatiaia e a Justiça, enquanto mantém atividades limitadas

Por Patricia Scott

Um complexo religioso incomum às margens da Via Dutra, em Itatiaia (RJ), tem despertado a curiosidade de quem passa pela região e de moradores locais. Com estrutura que remete a um castelo e esculturas de forte apelo simbólico, o espaço foi idealizado por Jonathan Oliveira Ribeiro, 32, que se apresenta como Mestre Jonan. Apesar da visibilidade, o local ainda não possui autorização oficial para funcionar.

O projeto começou a ser erguido há cerca de dez anos, no bairro Vila Esperança, e, segundo o fundador, trata-se de “um espaço voltado à busca de conhecimento espiritual e ao equilíbrio interior”. Ele afirma que o empreendimento seria a primeira igreja luciferiana do país.

A construção, marcada pelas cores preta e vermelha, foi planejada em áreas distintas. Em uma delas funciona o chamado Castelo de Quimbanda Canta Galo, destinado a rituais ligados a entidades como Exu e Pomba Gira. Já a parte externa abriga a chamada igreja luciferiana, onde, conforme Jonan, “as práticas são direcionadas ao desenvolvimento pessoal e espiritual”.

Além dos ambientes de culto, o local reúne um santuário com animais e uma figueira. Os elementos, segundo ele, representam “proteção espiritual e conexão com forças religiosas”.

Mesmo com a estrutura praticamente concluída, o espaço segue sem alvará. O fundador atribui o entrave a questões documentais envolvendo o terreno. “Desde o início buscamos regularizar, mas herdamos problemas antigos relacionados à propriedade, que envolve três áreas distintas”, explica.

A Prefeitura de Itatiaia divulgou que o imóvel não está devidamente registrado e apresenta pendências tanto na documentação quanto na regularização do loteamento. O município reforçou que qualquer construção — inclusive templos religiosos — depende de aprovação prévia de projeto e licença para obras, exigências que não teriam sido cumpridas.

“Os critérios para emissão de alvará são técnicos e se aplicam a todos os estabelecimentos”, destacou a administração municipal.

Apesar da ausência de autorização formal, Jonan afirma que o espaço conseguiu, no ano passado, uma decisão liminar que permitiria seu funcionamento. Ainda assim, ele reconhece que a situação jurídica permanece indefinida e pode sofrer mudanças.

Em sentido contrário, ao G1, o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) informou que a Primeira Câmara de Direito Público decidiu manter a interdição e o lacre da edificação. Segundo o órgão, a medida foi adotada porque a obra foi realizada sem aprovação técnica e sem alvará.
Diferentes rituais

De acordo com o fundador, o templo realiza três tipos principais de cerimônias. “Os rituais voltados a Lúcifer buscam conhecimento e equilíbrio; os ligados a Belzebu tratam do domínio dos instintos; e os dedicados a Astaroth abordam valores do sagrado feminino, como amor e companheirismo”, detalha Jonan.

Ele define o luciferismo como uma crença que propõe harmonia entre opostos. “Acreditamos em Deus e defendemos princípios como respeito, honestidade e ajuda ao próximo”, afirma.

Jonan também relata que decidiu iniciar a construção após experiências espirituais pessoais. Ele se apresenta como sacerdote de quimbanda e pai de santo de umbanda, tradições com as quais teve contato desde a infância.

Mesmo sem funcionamento plenamente liberado, o espaço tem ganhado projeção nas redes sociais. Segundo o fundador, os perfis ligados ao templo já acumulam milhões de seguidores, ampliando o alcance e a repercussão do projeto.

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