As pesquisas eleitorais divulgadas para o cenário presidencial de 2026 apresentam resultados distintos entre institutos de opinião, especialmente na comparação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. Levantamentos recentes indicam diferenças nas estimativas de intenção de voto e geraram debate sobre possíveis variações metodológicas.
Uma pesquisa divulgada pelo Datafolha no sábado, 7 de março, apontou Lula com 46% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno. Apesar da vantagem numérica do presidente, o resultado configura empate técnico dentro da margem de erro.
Diferenças entre institutos
Outros institutos de pesquisa apresentaram números diferentes. Um levantamento do Paraná Pesquisas indicou 44,4% para Flávio Bolsonaro e 43,8% para Lula no mesmo cenário eleitoral.
A divergência entre pesquisas tem sido observada também em outros levantamentos divulgados recentemente, que apresentam cenários mais equilibrados ou ligeiramente favoráveis ao senador.
As diferenças nos resultados relembram debates ocorridos durante a eleição presidencial de 2022, quando institutos apresentaram estimativas distintas na reta final da disputa.
Na véspera do segundo turno de 2022, o Datafolha projetava vitória de Lula com 52% dos votos válidos, contra 48% do então presidente Jair Bolsonaro (PL).
Já o Paraná Pesquisas, no mesmo período, indicava um resultado mais apertado, com 50,4% para Lula e 49,6% para Bolsonaro.
O resultado oficial das urnas, divulgado após a votação de 30 de outubro de 2022, apontou 50,90% dos votos válidos para Lula e 49,10% para Bolsonaro, diferença equivalente a cerca de 2 milhões de votos.
Metodologia
A divergência entre pesquisas recentes motivou análises sobre possíveis fatores metodológicos que influenciam os resultados.
O estrategista eleitoral Roberto Reis comentou o tema em uma publicação na rede social X, onde comparou números de diferentes institutos.
Segundo ele, enquanto o Datafolha aponta 39% para Lula e 34% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno, além de 46% contra 43% no segundo turno, levantamentos de institutos como AtlasIntel e Paraná Pesquisas mostram cenários mais equilibrados.
Peso do eleitorado evangélico
Na análise divulgada por Reis, um dos fatores apontados para explicar as diferenças seria a representação do eleitorado evangélico nas amostras das pesquisas.
De acordo com ele, o Datafolha considera cerca de 28% de evangélicos na composição de sua amostra, percentual associado a estimativas baseadas no Censo de 2022.
O estrategista argumenta que outras estimativas indicam participação maior desse grupo religioso na população brasileira. Estudos citados por ele apontariam uma presença entre 31% e 36%.
Segundo Reis, o próprio Datafolha mostra diferenças de preferência eleitoral entre grupos religiosos. Em um levantamento do instituto, Lula aparece com 45% entre católicos e Flávio Bolsonaro com 30%, enquanto entre evangélicos o senador registra 48% contra 22% do presidente.
Amostragem
O estrategista também questiona o método de entrevistas presenciais em pontos de fluxo, utilizado em parte das pesquisas do Datafolha. Segundo ele, esse modelo poderia influenciar a composição da amostra em termos de renda e perfil social.
Outros institutos, como AtlasIntel e Quaest, utilizam modelos estatísticos que incluem ajustes algorítmicos ou ponderações por renda e perfil demográfico.
Para Reis, diferenças na composição da amostra podem explicar parte da variação entre levantamentos. Ele afirma que fatores como religião, renda e perfil regional podem influenciar significativamente as estimativas eleitorais.
Gospel Prime

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