O ex-deputado federal Henrique Alves foi enfático ao afirmar que, no MDB, há espaço para ele e seu primo, o ex-senador e atual pré-candidato à Câmara Federal Garibaldi Alves. É fato o rompimento dos dois, e há indícios de que o causador deste episódio tenha sido o presidente estadual da legenda, deputado federal Walter Alves, filho de Garibaldi. No entanto, Henrique Alves ponderou que não há mágoas entre eles, podendo ambos disputar a Câmara Federal pelo MDB e lograr êxito. As declarações foram para o programa Foro de Moscow com os jornalistas Bruno Barreto e William Robson.

“Eu acredito que Henrique e Garibaldi fizeram juntos a história do MDB do Rio Grande do Norte. Eu não consigo me separar de Garibaldi na história do RN. Fomos nós, dois meninos, um com 21 e outro com 22 anos de idade, que começamos esta história. Não dá para separar Henrique de Garibaldi. São 51 anos de luta juntos. Esse laço não há como ser desfeito. O MDB é fruto disso”, enfatizou o ex-presidente da Câmara dos Deputados, deixando claro que juntos vão concorrer à vaga de deputado federal e com chances de se elegerem.

Henrique Alves lembrou que já se elegeu junto com seu pai, Aluízio Alves. “Quando meu pai voltou do exílio, fomos candidatos juntos à Câmara Federal. É lógico que, com aquele jeito de Aluízio de pedir voto para mim, saímos vitoriosos e fomos juntos deputados pelo Rio Grande do Norte, o mesmo pode acontecer comigo e Garibaldi”, frisou.

O ex-deputado ressaltou com veemência que não deixará o MDB. “É importante que se diga nesta hora que na casa do MDB cabe Henrique, cabe Garibaldi, cabe muito mais gente. Eu já falei que minha história, é a história do MDB. Perguntam-me se vou sair do partido, eu respondo que eu sou MDB, eu não estou MDB. Como Garibaldi também é MDB. É uma questão de coerência, caráter, sentimento, é uma questão de história. Se as pessoas forem olhar simbolicamente a casa do MDB como partido, vão ver nas paredes, teto, piso, janela as minhas mãos, e para ser justo e verdadeiro, vão ver as mãos de Garibaldi e de Aluízio Alves”, comentou.

Saudoso, Henrique Alves contou como foi seu ingresso no partido. Ele fez uma retrospectiva histórica. Lembrou de quando seu pai – Aluízio Alves -, foi cassado pela ditadura militar. “O meu pai foi cassado, pela ditadura militar, no melhor momento de sua vida pública, dia 7 de fevereiro de 1969. Naquela época, eu tinha 21 anos de idade, e em 1970 ia ter eleição. Eu lembro como se fosse hoje, os vereadores Gilberto Rodrigues, Antônio Cortez, e Zé Martins foram ao Rio de Janeiro fazer um apelo a Aluízio, diziam eles que a luta, o ideal, a esperanças e os sonhos que Aluízio representava para o povo do Rio Grande do Norte deveria continuar, e que eu deveria segurar essa bandeira e prosseguir o seu caminhar”, dissertou.

E acrescentou: “Meu pai naquela hesitação, com medo que eu viesse a sofrer o que ele sofreu, naqueles tempos brutais da ditadura militar, de triste memória, como dizia o saudoso Ulisses Guimarães, então, ele na dúvida, mas, eu topei a parada e me elegi deputado federal com 21 anos de idade. Nas dependências da Câmara, muitas vezes, tive que mostrar a identificação de que era deputado, e assim eu comecei, segurando a bandeira que o meu pai colocou em minhas mãos. Agora, quando eu voltar à atividade política eleitoral ou não, ela vai voltar a tremular pelo Rio Grande do Norte a fora”.

Henrique Alves, ao ser questionado sobre o cenário nacional, preferiu não emitir maiores considerações, limitando-se a dizer que espera pela candidatura da senadora Simone Tebet. “Não gostaria de tratar disso nesta hora, com o respeito que tenho ao presidente Lula e de nenhuma outra candidatura, antes de tratar com coerência a candidata Simone Tebet. O que vai acontecer até abril e daqui pra lá, os partidos devem sentar à mesa. Vão dialogar, sem impor. Convencer ou ser convencido que é a arte da política. Então, acredito que vai acontecer tudo naturalmente”, comentou.

Agora RN

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