sexta-feira, 25 de março de 2016

Universal, Mundial e Plenitude: crise econômica pode tirar igrejas da TV, diz jornalista


As igrejas neopentecostais que baseiam sua estratégia de divulgação na veiculação de programas em emissoras de TV aberta vêm sofrendo com a atual crise econômica, por conta da redução na contribuição dos fiéis.
Um dos efeitos da baixa na arrecadação de dízimos e ofertas é a redução da presença dessas igrejas nas emissoras. Em alguns casos, os programas foram extintos, ao menos por enquanto.
O jornalista Ricardo Feltrin, especializado em TV, publicou em sua coluna no portal Uol um relato sobre a atual situação das denominações neopentecostais: “A crise econômica já afeta de forma profunda a sociedade, inclusive as igrejas evangélicas. Algumas denominações já demonstram isso de forma clara. A Igreja da Plenitude, do evangélico Agenor Duque, acaba de ficar fora do ar por uma semana no canal RBI, devido à falta de pagamento. Já a Igreja Mundial de Valdemiro Santiago, vem ‘penando’: perdeu praticamente todos os horários que comprava na RedeTV! – também por atraso no pagamento – e agora mal consegue manter sua emissora na TV fechada (Rede Mundial)”, informou.
A crise, porém, não arrefece a rivalidade dessas igrejas, conhecidas por disputarem a atenção do mesmo público-alvo: “Ainda assim, logo que viu a crise do rival Duque, no final de fevereiro, Valdemiro tentou abocanhar o horário vago na RBI, mas a empreitada não vingou muito. A Mundialtem perdido fiéis principalmente para a Plenitude”, revelou o jornalista.
De acordo com Feltrin, somente a denominação de Valdemiro Santiago emprega, anualmente, R$ 132 milhões na locação de horários nas mídias de massa.
“Nas últimas semanas a igreja de Valdemiro aumentou as campanhas e ‘desafios’ (leia-se ‘carnês’), nos quais fiéis colaboram com uma doação ‘extra’ mensal, que pode ser de R$ 200 a R$ 2000. A justificativa é que, sem doações, será impossível manter a TV Mundial no ar e as rádios. Estima-se que a Mundial tenha ao menos R$ 11 milhões mensais fixos em aluguéis de horários em TVs, rádios e aluguel de templos. Aliás, há inúmeros casos de aluguel atrasados na Mundial país afora”, criticou.
As sucessivas trocas de emissora mostram o quanto a Igreja Mundial do Poder de Deus tem sofrido nos últimos quatro anos para se estabilizar novamente após a ofensiva da rival, Universal do Reino de Deus, para recuperar o espaço perdido.
“O líder da Mundial tem vivido na pele a mais madrasta das crises, aliada a uma inédita fuga de fiéis. E tudo começou com longa reportagem do ‘Domingo Espetacular’ (Record), que denunciou o líder da Mundial por lavagem de dinheiro de fiéis, em 2012. Ministério Público, polícia e – o pior – a Receita Federal causaram grande perda de patrimônio ao autointitulado apóstolo, que foi obrigado a vender bens e fazendas milionárias”, pontuou Feltrin.
Sobre a Universal, o jornalista revelou que a igreja do bispo Edir Macedo também tem enfrentado águas turbulentas. Segundo Feltrin, a igreja “assiste à queda no pagamento de dízimos, mês a mês, desde o ano passado”, o que pode levar ao cancelamento de programas em emissoras de TV.
“Pastores ouvidos nos últimos dois dias pela coluna sob a condição de anonimato confirmam a queda, mas afirmam que a orientação da direção da igreja, no momento, é ‘entender o momento econômico’ e, ao contrário das demais, não forçar a doação, fazer exigências ou lançar grandes ‘desafios’ aos fiéis”, concluiu.

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