advogado, pastor, pesquisador e professor Tassos Lycurgo publicou um vídeo em seu canal no YouTube no qual faz uma crítica contundente às igrejas que estão mudando o horário dos cultos para acomodar os jogos da Copa do Mundo de 2026. Para ele, a prática revela uma inversão de prioridades e expõe uma idolatria silenciosa no coração de muitos cristãos.
Religião e crença




“A minha opinião é que não. A igreja não pode mudar o horário do culto por conta do futebol, por conta da Copa. A igreja não deve mudar o horário do culto por causa de um jogo.”
Os argumentos a favor e a resposta

Lycurgo reconhece que há argumentos aparentemente razoáveis para a mudança:Cultural: “O Brasil para quando a seleção joga. Milhões de pessoas organizam o dia em torno da partida.”
Pastoral: “Ninguém vai vir mesmo pro culto, ou se vier, vem com a cabeça voltada pro jogo.”
Bíblico: “O Espírito Santo não está disponível só em determinados horários. A Bíblia não fixa horário para o culto.”

No entanto, ele afirma que todos esses argumentos desabam diante de uma pergunta simples: “Por que é sempre o culto que se move?”
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“Ninguém propõe: ‘Esse domingo o jogo é às 5 da tarde, então vamos pedir à FIFA para adiar’. Por trás disso está a ideia de que o jogo é intocável. Só uma coisa na agenda do brasileiro parece ser infinitamente flexível: o encontro com Deus.”
“Não é sobre horário, é sobre hierarquia”

O teólogo enfatiza que a questão não é apenas sobre horário, mas sobre quem está no topo da hierarquia e quem está no fim da fila:


“Jesus foi cirúrgico: ‘Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça’ (Mateus 6.33). A lógica do ‘muda o culto por causa do jogo’ faz exatamente o oposto. Ela coloca o jogo primeiro e Deus no sobrante.”

Lycurgo argumenta que a mudança não quebra um mandamento específico, mas inverte a espinha dorsal do evangelho:


“A pergunta certa nunca foi ‘é pecado?’. Não. A pergunta certa é: ‘O que essa mudança confessa sobre o meu coração?’ E a resposta, quando é sempre Deus quem cede, é bastante dolorosa.”
O culto dominical como memorial da ressurreição

O apologista também refuta o argumento de que “o culto não precisa ser num prédio, num horário”, afirmando que essa é uma “verdade sequestrada” :


“Sim, Deus não mora num templo de pedra. Mas o mesmo Novo Testamento que diz isso ordena de forma explícita que o povo se reúna. Hebreus 10.25: ‘Não deixando de congregar-nos’. O autor de Hebreus coloca o abandono da reunião ao lado do perigo da apostasia.”

Ele lembra que o culto dominical é um memorial da ressurreição de Cristo:


“Atos 20.7: reuniam-se no primeiro dia da semana para partir o pão. Apocalipse 1.10 chama o domingo de ‘dia do Senhor’. Toda semana a igreja se levanta e declara: ‘O túmulo está vazio’. E estamos discutindo se vale a pena mover esse memorial para caber num jogo de futebol?”
ídolos: o que a Copa revela

Lycurgo cita João Calvino: “O coração humano é uma fábrica de ídolos” . Para ele, o futebol não é pecado, mas pode se tornar um ídolo:


“Um ídolo não é só uma estátua. É qualquer coisa boa que ocupa o lugar que só pertence a Deus. Ninguém idolatra o mal em sã consciência. A gente idolatra o bom, o que é bem. Tem gente que idolatra a família, o trabalho, o lazer, colocando acima daquele que nos deu tudo isso.”



Ele desafia os cristãos a se perguntarem:



“Quando duas coisas que você ama entram em conflito na agenda, qual cede? Se na hora da decisão entre culto e jogo é sempre o culto que muda, a Copa só revelou o ídolo que já estava instalado. Ela acendeu a luz sobre o problema.”
O testemunho para o mundo

Lycurgo também alerta sobre o impacto do testemunho cristão:


“Quando a igreja remaneja Deus para o futebol caber, ela está pregando um sermão silencioso para o mundo: ‘Deus vem depois’. O vizinho não crente está vendo onde Deus está na fila de prioridade dos crentes.”
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Ele conclama os cristãos a serem diferentes:


“Povo de Deus foi chamado para, no meio de uma nação inteira parada diante da TV, dizer com mansidão e sem arrogância: ‘Vão vocês, nós vamos adorar primeiro’. Isso não é fanatismo, é hierarquia bem ordenada.”
O chamado à reflexão

Lycurgo encerra com uma pergunta direta:


“A pergunta que eu deixo aqui para você não é ‘pode mudar o horário?’. É: na sua vida, o que você move de lugar quando aparece algo que você ama de verdade? Se a resposta for Deus, então o problema nunca foi a Copa. É o trono e quem está sentado nele.”

JM Notícias