
O PT lançou nesta segunda-feira, 8 de junho, em Brasília, uma carta dirigida ao público evangélico. O documento foi apresentado no 4º Encontro Nacional de Evangélicos do partido e critica o uso da fé como instrumento eleitoral.
A iniciativa ocorre em um momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta ampliar o diálogo com evangélicos. Esse grupo é considerado um desafio para o PT em eleições presidenciais. Pesquisas citadas por aliados do partido indicam maior adesão de parte desse eleitorado a candidatos conservadores e de direita.
Na carta, o PT afirma que a fé deve ser tratada em sua dimensão espiritual, comunitária e ética. O texto também cita declaração recente de Lula, segundo a qual não se deve tirar proveito político de algo considerado sagrado.
Durante o evento, integrantes da mesa lembraram medidas sancionadas por Lula ligadas à liberdade religiosa e ao funcionamento de igrejas. Também citaram decretos de reconhecimento da música gospel como patrimônio cultural.
O documento contesta a ideia de que os evangélicos formem um grupo único, com uma só posição política. Segundo a carta, essa imagem não corresponde à realidade.
O coordenador do setorial inter-religioso do PT, Gutierrez Barbosa, disse à CNN Brasil que as diretrizes do texto estão ligadas ao que o partido identifica como uma demanda do eleitor. Segundo ele, pesquisas internas mostram rejeição ao uso da religião na disputa política.
A aproximação com evangélicos deve fazer parte da estratégia do PT para a eleição de 2026. Entre as ações previstas estão a criação de uma rede de influenciadores digitais evangélicos, o diálogo com igrejas de porte médio e a formação de uma frente ampla evangélica.
Essa frente deve reunir pastores e fiéis filiados a outros partidos ou sem vínculo partidário. A articulação ocorre enquanto o campo conservador busca manter influência nesse segmento do eleitorado.
A carta também menciona temas que o PT pretende destacar na campanha presidencial. Entre eles estão políticas para a saúde da mulher, juventude, agricultura familiar, pessoas com deficiência, população negra e desenvolvimento regional ligado a terras raras.
Segundo participantes do encontro, propostas mais detalhadas para o plano de governo serão apresentadas em outro manifesto, previsto para os próximos dias. Temas sem consenso dentro da militância, como aborto, não foram citados.
Participaram do evento a primeira-dama Janja da Silva; o presidente nacional do PT, Edinho Silva; a senadora Eliziane Gama (PT-MA); a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ); a vereadora Aava Santiago (PSB); e a deputada federal Marina Silva (Rede-SP), entre outros.
0 Comentários