terça-feira, 16 de outubro de 2018

Haddad tenta atrair evangélicos abrindo mão de aborto e legalização das drogas



Assim como fez Dilma Rousseff na campanha de 2010, Fernando Haddad, candidato do PT este ano, está disposto a abrir mão de propostas de governo para tentar atrair o voto dos evangélicos.

Segundo o jornal O Globo, o ex-prefeito de São Paulo irá apresentar nesta quarta-feira (17) uma “carta de compromissos” durante uma reunião com pastores. Ele assumirá o compromisso de não enviar ao Congresso nenhum projeto para legalização do aborto. Embora pessoalmente diga ser contra, sua vice Manuela D’Ávila é uma ardente defensora da pauta, o que gera desconfiança de parte dos eleitores.

Também abrirá mão de propor a legalização das drogas, contrariando o que diz seu atual plano de governo. Dilma, que teve apoio de diversos pastores, acabou rompendo com quase todos quando não manteve a promessa e tentou, por outras vias, descriminalizar a interrupção da gravidez.

A aceitação de Haddad entre os evangélicos é muito mais baixa que a de Jair Bolsonaro (PSL). Segundo o Ibope, o capitão reformado tem cerca de 74% dos votos nesse segmento.

Nos últimos dias, a campanha de Haddad tem pedido a exclusão de matérias que o liguem ao “kit gay”, proposta do Ministério da Educação em 2011. O material foi elaborado, mas não chegou às escolas porque foi vetado pela Presidência após forte pressão da bancada evangélica.
Mudança de estratégia

Bolsonaro vinha lembrando nas rede sociais que Haddad era o titular da pasta. Agora, o ministro Carlos Horbach, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), determinou a suspensão de links de sites e redes sociais que usem a expressão “kit gay”. O nome oficial do material, composto de vídeos e cartilha, era “Escola sem homofobia”. Sua produção custou 1,8 milhão de reais aos cofres públicos.

Desde o dia 12 de outubro, quando chamou Edir Macedo de “fundamentalista charlatão”, a imagem do candidato petista piorou junto aos evangélicos. A IURD reagiu, acusando o substituto de Lula na corrida presidencial de tentar provocar uma “guerra religiosa” entre católicos e evangélicos.

Ao longo do primeiro turno, uma grande quantidade de pastores importantes declararam apoio ao presidenciável do PSL. Após as declarações de Haddad contra Macedo, 147 representantes de denominações de todo o país assinando uma carta de repúdio.

Gospel Prime

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