segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Procuradora-geral da República coordenava equipe que autorizou adoções ilegais da Igreja Universal



A Igreja Universal do Reino de Deus está sendo investigada, em Portugal, por um esquema em que pelo menos dez crianças portuguesas foram ilegalmente retiradas dos seus pais e levadas para fora do país por pastores da Igreja Universal (IURD).

Segundo o jornal português Expresso, no momento em que as adoções da IURD foram autorizadas, a atual procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal (foto), coordenava a equipe do Ministério Público no Tribunal de Menores de Lisboa.

A PGR garantiu, através de um comunicado, que “nada deixará de ser investigado, o que permitirá apurar todos os fatos e eventuais responsabilidades”.

Entre 1994 e 2002, Joana Marques Vidal “exerceu funções no Tribunal de Família e de Menores de Lisboa”, tendo assumido em parte desse período “a coordenação dos promotores do Ministério Público”, desconhecendo-se, no entanto, o grau de responsabilidade e de intervenção direta da procuradora no processo.

Na nota, a Procuradoria-Geral da República lembrou que “o eventual encaminhamento irregular para adoção de crianças acolhidas num lar da Igreja Universal do Reino de Deus deu origem a um inquérito-crime“, investigação que, diz o Ministério Público, “tem por objeto exatamente a atuação funcional do Ministério Público em todas as suas vertentes, tendo em vista examinar os procedimentos então adotados e analisar todas as intervenções desenvolvidas nos respetivos processos”.


De acordo com a série de reportagens que a TVI exibiu, Edir Macedo, fundador e líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), teria montado uma rede de adoção ilegal, a partir da qual roubava crianças de um lar que o movimento religioso mantinha em Lisboa durante os anos 1990.

As crianças eram levadas para o Brasil, onde eram adotadas de forma ilegal, e os netos de Edir Macedo teriam sido adotados dessa forma.

A série investigativa chamada de “O Segredo dos Deuses” revelou que vários menores portugueses, que eram entregues pelas famílias devido às dificuldades financeiras por que passavam, alimentaram a rede internacional liderada pelos dirigentes da IURD.

O Lar Universal integrava a obra a social da IURD e esteve em funcionamento durante a década de 1990 em Lisboa. As crianças eram entregues àquele lar “à margem dos tribunais”. Depois desapareciam e “acabavam no estrangeiro, adotadas de forma irregular, por Bispos e Pastores da igreja“.

A reportagem da TVI identificou ainda várias famílias portuguesas de onde os filhos teriam sido “roubados”. O principal destino das crianças, além do Brasil, seria os EUA, onde a igreja se instalou no fim dos anos 1980 e onde reside atualmente Edir Macedo.

A série, assinada pelas jornalistas Alexandra Borges e Judite França, revela que um “importante membro” desta rede chegou a “roubar um recém-nascido da mãe na maternidade” e o registrou diretamente, como seu filho biológico.

Fonte: ZAP – Portugal

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