segunda-feira, 29 de maio de 2017

“Se Lutero vivesse hoje, criticaria os pentecostais”, afirma pastor luterano



Negando as 95 teses que deu origem à Reforma Protestante, e posteriormente à Igreja Luterana, católicos e luteranos “celebram” juntos os 500 anos do movimento que mudou a história mundial em 1517.

A divisão com a Igreja Católica, que ajudou a formar muitas nações europeias, também daria origem ao movimento chamado de ‘ContraReforma”, o qual derramou sangue de milhares de pessoas que negavam-se a submeter-se ao papa.

Em entrevista ao site alemão DW, o pastor gaúcho Cláudio Kupka, membro da comissão conjunta luterana do jubileu dos 500 anos da Reforma no Brasil avaliou como está a situação da Igreja.

Ele conta que durante muitos anos os luteranos, primeira denominação a usar o nome de evangélicos no Brasil, sofreram discriminação num país majoritariamente católico. “Era negativo e vergonhoso ser luterano… [hoje] A situação com a Igreja católica mudou muito. Antigamente, por exemplo, havia problemas com casamentos mistos entre católicos e luteranos, hoje não. Há uma aceitação mútua e um respeito muito maior. Com o papa Francisco ficou ainda mais fácil”, assegura.

Em sua avaliação, “não estamos comemorando uma vitória sobre a Igreja católica. A Reforma é um processo histórico do qual ambas as Igrejas cresceram. A Igreja católica também ganhou com a Reforma, ela reviu muitos postulados e se repensou. Os temas que nos dividiram na Reforma estão superados”.

Se com os católicos ele afirma que há uma boa relação, o mesmo não pode ser dito sobre os pentecostais. Crítico do movimento, acredita que “eles ocuparam espaço na mídia e fizeram o termo “evangélico” ser associado ao que representam”.


Por isso, na busca de se distinguir, Kupka revela que os membros de sua denominação voltaram a usar “protestante” e valorizar a palavra “luterano”, o objetivo era “sairmos da ideia de que ser evangélico é estar interessado no dinheiro e explorar o povo. Há alguns anos, tivemos um debate sobre o uso da palavra bispo, que é uma autoridade pentecostal, por causa da má imagem na sociedade. Adotamos então o nome ‘pastor sinodal’”.

Segundo ele, “os neopentecostais rompem com tantos conteúdos básicos da teologia cristã que, a rigor, não podemos considerá-los uma teologia cristã. Se Lutero vivesse hoje, ele provavelmente criticaria os pentecostais e neopentecostais por estarem vendendo salvação”.

Para o pastor luterano, “É uma ironia que agora a TV Record, de propriedade da Igreja Universal, vá lançar um seriado sobre Lutero. Justamente a denominação que mais trai os princípios da Reforma vai capitalizar em cima dessa comemoração”.

Mas essa não é a única questão que distingue os dois grupos. “A interpretação literal da Bíblia acaba causando divisões e divergências. Por exemplo, a questão de gênero. Os pentecostais são categóricos que homossexualidade é pecado e não aceitam ninguém com esta opção sexual. Já os protestantes tratam o tema com respeito, mesmo que alguns não abençoem uniões homossexuais”, sublinha.

Gospel Prime

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